Veneno de sapo-cururu da Amazônia revela moléculas com potencial antibiótico, aponta estudo

Estudo do Instituto Butantan identifica peptídeos com potencial antibiótico no veneno do sapo-cururu da Amazônia.

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Pesquisa do Instituto Butantan identifica peptídeos com possível ação contra bactérias e amplia conhecimento sobre espécie amazônica


Veneno de sapo-cururu da Amazônia revela moléculas com potencial antibiótico, aponta estudo

Manaus (AM) – Pesquisadores do Instituto Butantan identificaram moléculas com potencial antibiótico no veneno do sapo-cururu amazônico (Rhaebo guttatus). O estudo está publicado na revista científica Toxicon.

A pesquisa analisou as proteínas presentes na secreção cutânea do animal e identificou peptídeos — fragmentos de proteínas — que, em testes computacionais (in silico), demonstraram possível atividade contra bactérias.

O trabalho contou com a colaboração de equipes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Rondônia, que cedeu as amostras do veneno.

Resistência antimicrobiana

Pesquisador Daniel Pimenta – Coordenador do Estudo (Foto: André Ricoy)

Segundo o pesquisador Daniel Pimenta, coordenador do estudo, a busca por compostos naturais é estratégica diante do avanço da resistência bacteriana.

“Em um contexto de resistência antimicrobiana, a busca por novos compostos antibióticos na natureza é uma estratégia importante para o desenvolvimento futuro de fármacos capazes de combater bactérias resistentes”, afirmou.

Os resultados indicam potencial terapêutico, mas ainda não significam desenvolvimento imediato de medicamentos. Novas etapas experimentais seriam necessárias para confirmar eficácia e segurança.

Descobertas sobre a biologia do sapo

Além da possível ação antimicrobiana, a análise revelou a presença da proteína BASP1, até então não descrita em venenos de anuros (grupo que inclui sapos, rãs e pererecas).

A hipótese dos pesquisadores é que essa proteína possa estar relacionada à contração e regeneração das glândulas que produzem o veneno, pois eles também identificaram proteínas associadas à contração muscular, ao estresse oxidativo e à imunidade do animal.

Espécie amazônica pouco estudada

O sapo-cururu Rhaebo guttatus é nativo da Amazônia e ainda é pouco estudado do ponto de vista bioquímico.

A pesquisa utilizou técnicas de proteômica, que permitem separar e identificar proteínas em misturas complexas como o veneno. As análises envolveram cromatografia líquida e espectrometria de massas.

Segundo os pesquisadores, o veneno apresenta semelhanças com o de outras espécies conhecidas como “cururu”, como Rhinella icterica (Sudeste do Brasil) e Rhinella marina, introduzida na Austrália.

Veneno pode ser ejetado

Estudo anterior com a mesma espécie, publicado na revista Amphibia-Reptilia, descreveu comportamento considerado incomum: o animal é capaz de ejetar o veneno das glândulas localizadas atrás dos olhos quando se sente ameaçado.

Foi a primeira descrição científica desse mecanismo de defesa na espécie.

Financiamento

A pesquisa recebeu financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).


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