Manaus (AM) – O superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas, Joel Araújo, rebateu nesta sexta-feira (9) a declaração do comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, de que o governo federal teria negado o envio de aeronaves para combater incêndios florestais no estado. Joel afirmou que a União tem apoiado as ações estaduais e anunciou a chegada de quatro aviões de combate ao fogo prevista para este sábado (10).
A divergência veio à tona após entrevista de Muniz ao Jornal do Amazonas 1ª Edição, da Rede Amazônica. O comandante afirmou que o pedido de reforço aéreo, encaminhado em setembro, recebeu resposta negativa. Segundo ele, as aeronaves são essenciais para alcançar áreas de difícil acesso e ampliar a capacidade de resposta às queimadas.
Ibama cita recursos e reforço aéreo
Ao contestar a declaração, Joel Araújo afirmou que o governo federal destinou R$ 45 milhões, por meio do projeto ProAmazon, apoiado pelo Fundo Amazônia, para fortalecer a estrutura do Corpo de Bombeiros e as ações de prevenção e combate aos incêndios florestais.
“ O governo federal tem ajudado, sim, o governo do estado, inclusive com o envio de R$ 45 milhões para contratação de brigadistas, aquisição de equipamentos, viaturas e aeronaves”, declarou o superintendente.
Joel também informou que quatro aviões disponibilizados pelo Ibama devem chegar ao Amazonas neste sábado para atuar no combate aos incêndios em áreas estaduais.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), por sua vez, informou que o apoio federal inclui equipes, recursos e aeronaves. Em nota, a pasta afirmou que pretende disponibilizar seis aeronaves, quatro aviões Air Tractor, usados no lançamento de água, e dois helicópteros — além de 290 brigadistas.
Bombeiros dizem que pedido recebeu resposta negativa
Durante a entrevista, o coronel Orleilso Muniz afirmou que o Corpo de Bombeiros solicitou apoio federal para ampliar o combate às chamas, especialmente por meio de aeronaves especializadas.
“Já tivemos um retorno negativo de que não seria possível apoiar. Reforço e apelo mais uma vez: o estado do Amazonas precisa somar esforços com o governo federal para fazer um enfrentamento qualificado”, disse o comandante.
Muniz acrescentou que a corporação voltou a solicitar reforço após enfrentar uma situação semelhante em 2024. Segundo ele, os bombeiros têm ampliado a presença no interior do estado, com quartéis permanentes em mais de cinco municípios, mas ainda enfrentam dificuldades para alcançar focos de incêndio em regiões isoladas.
Ministério cita pedido de setembro
Em esclarecimento publicado nesta sexta-feira, o Ministério do Meio Ambiente informou que o Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), coordenado pelo Ibama, recebeu em 23 de setembro uma solicitação de apoio do governo estadual.
De acordo com a pasta, foram acionados combatentes do Projeto de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad) e uma aeronave do Projeto de Gerenciamento de Aeronaves para Situações de Urgência e Socorro (Pegasus).
O ministério afirmou ainda que, em 30 de setembro, após chuvas contribuírem para o controle dos focos, o governo estadual comunicou que não precisava mais do apoio do Respad, dispensando a equipe antes do deslocamento para o campo.
A divergência entre as declarações envolve pedidos de apoio e períodos distintos. Enquanto o comandante afirma que uma solicitação de aeronaves recebeu resposta negativa, o governo federal sustenta que ofereceu apoio em setembro e anuncia novo reforço aéreo para enfrentar o agravamento dos incêndios no Amazonas.
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