MANAUS (AM) – O Instituto Mamirauá, referência em pesquisa sobre a Amazônia e sediado em Tefé, passou a integrar um dos principais rankings científicos do mundo. A entrada da instituição no Nature Index coloca o Amazonas em destaque na produção de pesquisas de alto impacto internacional nas áreas de biodiversidade, meio ambiente e ciências biológicas.
O reconhecimento marca a primeira participação do instituto no ranking, considerado uma das principais referências globais para medir a produção científica de excelência. Na estreia, o Mamirauá alcançou a 56ª posição entre as instituições brasileiras avaliadas e a 2ª colocação entre as organizações do terceiro setor do país.
Os melhores resultados registrados justamente em áreas diretamente ligadas à Amazônia. O instituto ficou na 21ª posição nacional em Ciências Biológicas e alcançou o 8º lugar em Ciências da Terra e Ambientais.
Mais do que uma conquista institucional, o resultado reforça a crescente relevância da ciência produzida na Amazônia para discussões globais sobre biodiversidade, mudanças climáticas, conservação ambiental e desenvolvimento sustentável.
O que é o Nature Index
O Nature Index monitora a presença de instituições científicas em um grupo seleto de revistas consideradas entre as mais influentes do mundo.
Diferentemente de rankings que medem apenas quantidade de publicações, o indicador avalia a produção científica publicada em periódicos de alto impacto e grande alcance internacional.
Segundo o coordenador de Pesquisa e Monitoramento do Instituto Mamirauá, Rafael Rabelo, a entrada no ranking representa um marco para a instituição.
“É a primeira vez que entramos nesse ranking de instituições com produção científica de alta qualidade. É a primeira vez que figuramos entre as instituições brasileiras dentro dessas categorias e áreas do conhecimento”, afirmou.
Ciência produzida no coração da Amazônia
O resultado ganha ainda mais relevância pelo local onde essa ciência é produzida.
Com sede em Tefé, a mais de 500 quilômetros de Manaus, o Instituto Mamirauá se consolidou como uma das principais referências brasileiras em pesquisas sobre biodiversidade, manejo sustentável dos recursos naturais e conservação ambiental.
Ao longo dos últimos anos, pesquisadores da instituição ampliaram sua participação em estudos nacionais e internacionais voltados à compreensão dos ecossistemas amazônicos e dos impactos das mudanças ambientais sobre a floresta e suas populações.
Segundo Rafael Rabelo, a atuação em redes de pesquisa foi fundamental para o reconhecimento.
“Esse estilo de pesquisa em rede que a gente vem fazendo contribuiu para que entrássemos nesse ranking. Algumas dessas publicações tiveram o Instituto como protagonista; em outras, participamos de grandes redes de pesquisa, o que também fortaleceu nossa presença científica”, explicou.

Por que esse reconhecimento importa
Historicamente, a maior parte da produção científica brasileira está concentrada nos grandes centros universitários do Sudeste e do Sul do país.
O desempenho do Instituto Mamirauá mostra que a Amazônia não é apenas objeto de pesquisa, mas também produtora de conhecimento científico de alcance internacional.
Esse protagonismo tem impacto direto em áreas estratégicas para a região, como conservação da biodiversidade, manejo de recursos pesqueiros, proteção de áreas naturais, adaptação às mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável.
A instituição também é reconhecida por transformar conhecimento científico em ações práticas voltadas às comunidades amazônicas.
Um dos exemplos mais conhecidos é o manejo sustentável do pirarucu, considerado uma referência internacional por conciliar conservação ambiental, geração de renda e segurança alimentar para populações ribeirinhas.
Quase três décadas de atuação
Fundado em 1999 e vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Instituto Mamirauá atua atualmente em 36 áreas protegidas da Amazônia.
Com unidades em Tefé, Manaus e Belém, a instituição desenvolve mais de 200 projetos de pesquisa e extensão voltados à conservação ambiental e à melhoria da qualidade de vida de povos indígenas e comunidades ribeirinhas.
Ao longo de sua trajetória, o instituto acumulou reconhecimentos nacionais e internacionais por contribuições à ciência, à inovação e ao desenvolvimento sustentável da Amazônia.
SAIBA MAIS
O Instituto Mamirauá surgiu a partir das pesquisas do cientista José Márcio Ayres, que ajudaram a criar a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a primeira reserva desse tipo no Brasil. Hoje, a instituição é considerada uma das principais referências científicas da Amazônia e atua na integração entre pesquisa, conservação ambiental e desenvolvimento social.
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