Manaus (AM) – O calor de Manaus passou a ser monitorado de forma mais detalhada por meio de sensores instalados em pontos estratégicos das zonas Oeste, Sul, Leste e Centro-Sul. Os equipamentos coletam informações sobre as condições térmicas de diferentes regiões da capital para identificar como o ambiente urbano contribui para a formação das chamadas ilhas de calor.
O monitoramento faz parte de uma pesquisa internacional desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Prefeitura de Manaus.
O estudo já está em andamento há mais de 14 meses e busca produzir dados que possam ajudar no desenvolvimento de soluções arquitetônicas e urbanísticas adaptadas ao clima amazônico.
Sensores medem comportamento do calor
Um dos pontos de coleta fica em um edifício localizado no Parque Mosaico, no Tarumã, zona Oeste. O local foi definido durante reuniões entre equipes técnicas do MIT, da Ufam e do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb).
Os equipamentos instalados na cidade permitem comparar as condições térmicas de diferentes áreas e entender como fatores como características das construções e configuração urbana influenciam a temperatura.
A partir dos dados, a pesquisa pretende avaliar estratégias capazes de diminuir os impactos do calor sobre a população e melhorar o conforto térmico nos espaços urbanos.
Pesquisa analisa telhados duplos
A pesquisa é conduzida pela arquiteta equatoriana Sylvia Jiménez Riofrío, doutoranda do MIT. Em agosto, ela esteve em Manaus para uma etapa dedicada ao estudo do calor urbano e ao uso de telhados duplos como alternativa de adaptação climática.
A pesquisadora trabalha no desenvolvimento de um modelo físico-matemático que poderá simular diferentes estratégias para reduzir as temperaturas em ambientes urbanos.
Segundo Sylvia, os dados coletados em Manaus serão utilizados para calibrar e validar o modelo.
A iniciativa conta com duas bolsas de financiamento do MIT — Lloyd and Nadine Rodwin Travel Grant e CIS PhD Student Grant — e também recebeu o Jeanne Guillemin 2026 Prize, voltado a pesquisadoras com trabalhos de relevância internacional.
Manaus é considerada estratégica
Para Sylvia, o tamanho e a importância de Manaus fazem da capital um ponto estratégico para estudar os desafios climáticos enfrentados pelas cidades amazônicas.
A pesquisa dá continuidade à colaboração entre o Núcleo de Arquitetura Moderna na Amazônia (Nama), da Ufam, e o City Infrastructure Equity Lab (Ciel), do MIT.
O objetivo é que os resultados obtidos na capital também contribuam para discussões sobre planejamento urbano em outras cidades da Amazônia e da América Latina.
Dados podem orientar políticas públicas
Para o Implurb, os dados produzidos pelo monitoramento poderão contribuir para decisões futuras relacionadas ao planejamento urbano.
O diretor-presidente do instituto, Antonio Peixoto, afirmou que a participação no projeto permite aproximar a produção científica das políticas públicas municipais.
A pesquisa também envolve o Grupo de Pesquisa Arquitetura Moderna na Amazônia (Grupo AMA), da Ufam, coordenado pelo arquiteto Marcos Cereto.
Segundo o grupo, as informações coletadas poderão subsidiar futuras discussões sobre conforto térmico, desempenho das edificações e consumo de energia.
Estudo busca soluções para o calor urbano
Além dos pontos já definidos, outros locais de Manaus deverão integrar a rede de monitoramento. Os dados serão reunidos para alimentar o modelo matemático desenvolvido pela pesquisa.
A expectativa é identificar padrões de temperatura em diferentes ambientes urbanos e avaliar alternativas para reduzir o calor, melhorar o conforto ambiental e diminuir a necessidade de energia nas edificações.
Com o estudo, Manaus passa a integrar uma pesquisa internacional voltada a um dos principais desafios das cidades amazônicas: adaptar o planejamento urbano às temperaturas mais elevadas e aos efeitos das mudanças climáticas.
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