Manicoré (AM) – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) denunciou uma médica do Hospital Regional Municipal de Manicoré por homicídio duplamente qualificado, com dolo eventual, pela morte de uma paciente ocorrida em fevereiro de 2026. A denúncia foi apresentada pela Promotoria de Justiça de Manicoré após investigação sobre supostas condutas e omissões no atendimento da gestante.
Paciente tinha 38 semanas de gestação
Segundo o MPAM, a paciente estava com aproximadamente 38 semanas e cinco dias de gestação quando deu entrada no hospital apresentando contrações uterinas. Após avaliação médica, ela foi diagnosticada com pré-eclâmpsia e submetida a uma cesariana.
No período pós-operatório, a paciente apresentou complicações e evolução desfavorável. Conforme a denúncia, ela precisava de atendimento em uma unidade de maior complexidade, mas o Hospital Regional Municipal não contava com UTI nem com estrutura considerada adequada para o quadro clínico apresentado.
Médica teria prescrito medicamento contraindicado
A denúncia aponta ainda que teria sido prescrito à paciente um medicamento ao qual ela era alérgica. Segundo a Promotoria, a informação sobre a alergia estava registrada na ficha anestésica e nas anotações da equipe de enfermagem.
Para o promotor de Justiça Venâncio Antônio Castilho de Freitas Terra, responsável pelo caso, as condutas atribuídas à médica teriam exposto a paciente a um risco que poderia ter sido evitado.
“Esses tipos de condutas revelam uma total indiferença quanto ao resultado, tratando-se de escolha livre e consciente, que expôs a vida da vítima a risco concreto e evitável”, afirmou o promotor.
Família procurou o Ministério Público
A investigação começou após o marido da vítima procurar a Promotoria de Justiça e relatar que a família não teria recebido informações adequadas sobre o estado de saúde da paciente e a gravidade do quadro.
Os fatos foram apurados no Inquérito Policial nº 062/2026, instaurado pela 72ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP).
MP pede afastamento da médica
Na denúncia, o MPAM sustenta que houve uma sucessão de condutas e omissões que estariam em desacordo com protocolos de atendimento a gestantes com pré-eclâmpsia grave.
Entre os pedidos apresentados à Justiça está o afastamento cautelar da médica de suas funções no Hospital Regional de Manicoré durante a instrução criminal.
O Ministério Público também pediu a fixação de um valor mínimo de R$ 100 mil para reparação dos danos morais causados aos familiares da vítima.
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