Manaus (AM) – O vazamento de monômero de estireno registrado no Distrito Industrial de Manaus provocou a suspensão das aulas em 19 escolas, interrompeu o atendimento no PAC Studio 5 e levou empresas da região a adotar medidas preventivas nesta quinta-feira (16). A decisão foi tomada devido à permanência do forte odor do produto químico nas áreas próximas ao local da ocorrência.
Na rede estadual, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc-AM) informou que as Escolas Estaduais Antônio Lucena Bittencourt, Antovila Mourão Vieira e Bom Pastor tiveram as atividades suspensas para a realização de sanitização. A previsão é que as aulas sejam retomadas normalmente na sexta-feira (17).
Já a Prefeitura de Manaus informou que 16 escolas da rede municipal, localizadas nas zonas Sul e Leste, também suspenderam as atividades de forma preventiva para garantir a segurança de estudantes, professores e servidores. A Secretaria Municipal de Educação (Semed) orientou pais e responsáveis a acompanharem os canais oficiais das unidades escolares para informações sobre o retorno das aulas.
Além das escolas, a unidade Francisco Garcia, do Serviço Social da Indústria (Sesi), cancelou as atividades desta quinta-feira e informou que as aulas devem ser retomadas normalmente na sexta-feira.
O PAC Studio 5, administrado pela Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), também suspendeu o atendimento ao público. Segundo a secretaria, os usuários com serviços agendados poderão comparecer à unidade a partir desta sexta-feira (17).
Empresas também adotaram medidas preventivas
O impacto do vazamento também atingiu o setor industrial. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), 18 empresas liberaram seus funcionários para retornar para casa como medida preventiva.
Entre elas estão Honda, Yamaha, LG, Electrolux, Positivo, P&G, Engie, Compal, Boreo, PCE, Digboard, PST, Costa Brasil, RLX Fluidos Refrigerantes, Oriente, Boardtec, Venttos e unidades da Prefeitura de Manaus.
Bombeiros seguem atuando no local
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) informou que o vazamento ocorreu em um dos tanques de armazenamento de monômero de estireno da empresa Innova.
Segundo a corporação, o próprio sistema de segurança do tanque foi acionado para aliviar a pressão interna, evitando uma explosão. Desde então, equipes permanecem realizando o resfriamento da estrutura para impedir novos vazamentos.
A operação mobilizou cerca de 35 bombeiros, dez viaturas, quatro canhões de água, além do apoio da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM), responsável pelo isolamento da área. Brigadistas da empresa também participam da ocorrência.
Dezesseis pessoas receberam atendimento
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informou que 16 pessoas deram entrada em unidades da rede estadual após apresentarem sintomas relacionados à exposição ao produto químico. Todos os pacientes estavam com quadro clínico estável e permanecem em avaliação médica.
A Defesa Civil orienta que moradores das áreas afetadas permaneçam em locais bem ventilados, mantenham portas e janelas abertas e desliguem aparelhos que puxem ar externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação.
Já a SES-AM recomenda que pessoas que apresentarem sintomas como irritação nos olhos ou na pele, dor de cabeça, tontura, náusea, sonolência ou dificuldade para respirar procurem imediatamente uma unidade de saúde ou acionem o Samu pelo telefone 192.
O estireno é um composto químico líquido, incolor e inflamável, amplamente utilizado como matéria-prima na indústria para a fabricação de plásticos, borrachas sintéticas, resinas, fibras de vidro, isopor (poliestireno) e diversos outros produtos.
Quais são os riscos?
O estireno evapora facilmente, formando vapores com odor forte, semelhante ao de tinta, solvente ou verniz.
A exposição pode causar:
- Irritação nos olhos, nariz e garganta;
- Dor de cabeça;
- Tontura;
- Náusea;
- Sonolência;
- Tosse e dificuldade para respirar em casos de maior exposição.
Em concentrações elevadas ou em ambientes fechados, a exposição prolongada pode afetar o sistema nervoso central.
O estireno é tóxico?
Sim, o estireno é considerado uma substância química potencialmente tóxica, principalmente quando inalado em grandes concentrações ou por longos períodos. No entanto, em ocorrências como a registrada em Manaus, os efeitos costumam depender da quantidade liberada, da direção do vento, do tempo de exposição e da distância da fonte do vazamento.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o vazamento desta quarta-feira foi controlado e, até o momento, não há indicação de risco letal para a população. Pessoas que apresentarem sintomas como irritação, tontura ou náusea devem procurar atendimento médico.
Onde o estireno é utilizado?
O produto é empregado na fabricação de:
- Isopor (poliestireno expandido);
- Embalagens plásticas;
- Copos descartáveis;
- Peças automotivas;
- Eletrodomésticos;
- Tintas e resinas;
- Fibra de vidro.
O que fazer em caso de exposição?
As autoridades recomendam:
- Afastar-se da área com odor intenso;
- Permanecer em locais bem ventilados;
- Evitar atividades ao ar livre próximas ao vazamento;
- Procurar atendimento médico se houver dificuldade para respirar, tontura, náusea persistente ou irritação intensa nos olhos e nas vias respiratórias.
Essas orientações ajudam a reduzir o risco de efeitos à saúde até que a situação seja completamente normalizada.
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