Lula revoga decreto 12.600 após pressão indígena na região do Tapajós

Governo federal cancela norma que previa estudos para empreendimentos no Rio Tapajós após mobilização de povos indígenas e reunião ministerial Lula revoga decreto 12.600 após pressão de povos indígenas no Tapajós Santarém (PA) – A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de revogar o decreto 12.600, publicado em agosto de 2025, encerra um […]

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Governo federal cancela norma que previa estudos para empreendimentos no Rio Tapajós após mobilização de povos indígenas e reunião ministerial


Lula revoga decreto 12.600 após pressão de povos indígenas no Tapajós

Santarém (PA) – A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de revogar o decreto 12.600, publicado em agosto de 2025, encerra um dos principais impasses recentes envolvendo desenvolvimento econômico e direitos indígenas na Amazônia.

O anúncio ocorreu após reunião entre o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, a ministra Sônia Guajajara, e lideranças indígenas mobilizadas contra a medida.

A norma previa estudos para viabilizar empreendimentos no Rio Tapajós, no Pará, região estratégica da Amazônia e historicamente sensível em disputas ambientais.


O que era o decreto 12.600

O decreto 12.600 autorizava a realização de estudos para possíveis empreendimentos na região do Rio Tapajós. Esses estudos poderiam abrir caminho para projetos de infraestrutura, incluindo transporte hidroviário e outras intervenções econômicas.

Embora o texto não autorizasse obras imediatamente, lideranças indígenas e organizações ambientais alertaram que a medida poderia impactar territórios tradicionais e comprometer o equilíbrio ambiental da região.

O Tapajós é considerado uma das áreas mais preservadas da Amazônia, com presença de comunidades indígenas, ribeirinhas e unidades de conservação.


Mobilização de povos indígenas

A mobilização indígena ganhou força nas últimas semanas. Segundo a ministra Sônia Guajajara, grupos permaneceram por 33 dias em ocupação, incluindo mulheres e crianças, em protesto contra o decreto.

De acordo com a ministra, a revogação reafirma o compromisso do governo com o respeito à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, que garante o direito à consulta prévia, livre e informada dos povos indígenas sobre medidas que afetem seus territórios.

A decisão também levou em conta a situação humanitária dos manifestantes, que permaneciam acampados em condições precárias.

“Os indígenas estão há 33 dias na ocupação com mulheres, crianças e que seguem lá acampadas com condições precárias. Então, foi muito importante a gente também considerar essa questão humanitária que se encontra o movimento neste momento”, disse a ministra Sônia Guajajara.


Compromisso ambiental

O ministro Guilherme Boulos declarou que a revogação demonstra capacidade de escuta ativa do governo federal.

Segundo ele, a política ambiental da atual gestão permanece intacta, destacando a redução do desmatamento registrada desde 2023.

O governo negociou a decisão com o Ministério de Portos e Aeroportos e outras pastas envolvidas no planejamento de infraestrutura.


Impacto da revogação para a Amazônia

A revogação do decreto 12.600 representa:

  • Fortalecimento do diálogo com povos originários
  • Reafirmação da consulta prévia como princípio institucional
  • Redução de tensão social na região do Tapajós
  • Sinal político sobre prioridades ambientais do governo

Na Amazônia, decisões sobre grandes empreendimentos quase sempre expõem um conflito histórico: a pressão por crescimento econômico de um lado e a defesa do território, da floresta e dos povos tradicionais do outro. O recuo do governo no caso do Tapajós mostra que a região segue no centro das escolhas mais sensíveis do país — e que qualquer projeto de desenvolvimento precisa, antes de tudo, respeitar quem vive nela.


O que acontece agora

A revogação será publicada no Diário Oficial da União. Com isso, o decreto deixa de produzir efeitos legais.

Novos estudos ou projetos na região deverão observar as exigências constitucionais, ambientais e os mecanismos de consulta aos povos tradicionais.


📊 Resumo do caso

PontoDetalhe
Decreto12.600, de agosto de 2025
TemaEstudos para empreendimentos no Tapajós
Motivo da revogaçãoMobilização indígena
DecisãoRevogação anunciada pelo governo
Próximo passoPublicação no Diário Oficial

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Gláucia Chair
Gláucia Chairhttps://portalmeuamazonas.com.br/
Gláucia Chair é jornalista, pesquisadora e professora, com mais de 25 anos de atuação no mercado de comunicação e educação. CEO do Portal Meu Amazonas, também atua como consultora em conteúdo digital e estratégias de mídia. É Master em Jornalismo pelo Instituto Superior de Educação (ISE) e possui especializações em Literatura Moderna e Pós-Moderna, Docência do Ensino Superior e Comunicação, Design e Multimídia. Membro da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB), Gláucia se destaca pela defesa da valorização da produção jornalística e intelectual na Amazônia. Ao longo de sua trajetória, colaborou com veículos de destaque como Portal Amazônia, Jornal e Portal Em Tempo, Portal Radar 10, Revista ECO, Portal Vanguarda do Norte, i9Brasil e Portal Em Pauta.

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