Setor de comércio lidera contratações; construção civil recua e expõe desigualdade entre capital e interior
Amazonas cria 1,1 mil vagas formais em outubro e comércio lidera geração de emprego
Manaus (AM) – O mercado de trabalho do Amazonas fechou outubro de 2025 com 1.198 novas vagas com carteira assinada, segundo o Novo Caged. O resultado empurra o estado para um saldo acumulado de 23.488 postos criados no ano, em um movimento sustentado sobretudo pelo comércio, que sozinho abriu 922 empregos no período.
Setores que puxaram o crescimento
O desempenho positivo se concentrou em quatro dos cinco grandes setores econômicos:
- Comércio: +922
- Serviços: +337
- Indústria: +247
- Agropecuária: +113
- Construção: –421 (único setor em retração)
A queda na construção civil acende um alerta: o setor costuma funcionar como termômetro de investimentos públicos e privados, e a retração interrompe o ritmo de recuperação observado no primeiro semestre.
Retrato do trabalhador contratado
O mercado absorveu, majoritariamente, mulheres (801 vagas) e jovens de 18 a 24 anos (1.411 vínculos) — sinal de um ciclo que favorece quem está começando no mercado, mas que ainda privilegia ocupações de menor qualificação.
O perfil educacional também expõe a base da pirâmide econômica: 1.203 novos vínculos foram de pessoas com ensino médio completo, mostrando que a expansão está concentrada em funções operacionais e de atendimento.
Manaus domina, interior segue lento
No recorte por municípios, o Amazonas volta a revelar uma assimetria estrutural:
- Manaus: +1.111 vagas (estoque de 522 mil vínculos)
- Presidente Figueiredo: +68
- Maués: +34
- Santo Antônio do Içá: +24
- Silves: +22
O peso da capital no saldo estadual mostra que a interiorização do desenvolvimento continua tímida — e que o emprego formal permanece preso ao eixo urbano-industrial.
Contexto nacional e repercussões locais
O Brasil abriu 85.147 vagas formais em outubro, acumulando 1,8 milhão de empregos criados em 2025. O Amazonas acompanhou a tendência, mas com dinâmicas próprias: dependência do comércio, força do setor de serviços e vulnerabilidade nas áreas que dependem de obras e investimentos estruturais.
A leitura é clara: há avanço, mas ele é desigual — e coloca Manaus, mais uma vez, como centro gravitacional da economia estadual.

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