A Âmbar Energia apresentou, nesta quinta-feira (3), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), um plano de R$ 5,5 bilhões em investimentos para modernizar o sistema elétrico estadual e ampliar a segurança e a confiabilidade do fornecimento de energia. Os recursos serão aplicados até 2031.
Do total previsto, R$ 3,9 bilhões serão de capital próprio da empresa. O restante deverá ser proveniente de repasses do governo federal destinados ao programa Luz para Todos e à interligação de alguns municípios ao sistema elétrico.
A companhia, que assumiu em abril deste ano a distribuição de energia no Amazonas, informou que o planejamento foi elaborado a partir de um diagnóstico das principais necessidades do sistema. Entre as ações previstas estão a substituição de cabos, expansão da rede de distribuição, revitalização e construção de subestações e implantação de novas tecnologias.
“Recebemos um sistema com problemas estruturais, identificamos as prioridades e já começamos a agir. Agora apresentamos um plano concreto de R$ 5,5 bilhões para transformar a infraestrutura elétrica do Amazonas”, afirmou o diretor-presidente da concessionária, João Pilla.
Empresa aponta desafios no sistema
Durante a audiência pública, Pilla afirmou que a empresa assumiu uma distribuidora que enfrentava há anos restrições de investimentos, dificuldades financeiras, elevados índices de perdas e uma infraestrutura que necessita de ampla modernização.
“Chegamos aqui para trabalhar com transparência e seriedade. Sabemos dos desafios e estamos preparados para entregar à população de todo o Amazonas uma energia mais segura e confiável, sustentada por uma infraestrutura mais moderna e robusta”, declarou.
Segundo o diretor-presidente, as mudanças estruturais dependem de planejamento, investimentos e execução contínua.
Ações emergenciais já começaram
Paralelamente ao plano de longo prazo, a Âmbar informou que já executa intervenções emergenciais para reforçar a confiabilidade do sistema e atender pontos considerados críticos.
Entre as medidas estão serviços de manutenção, reforço de estruturas, substituição de equipamentos e intervenções em áreas prioritárias.
Também estão previstas obras para ampliar a capacidade do sistema e acompanhar o crescimento da demanda por energia em diferentes regiões do Amazonas.
Cabos antigos serão substituídos
Uma das principais medidas previstas é a substituição gradual de cabos antigos e expostos por cabos concêntricos revestidos. Segundo a empresa, a tecnologia aumenta a segurança da rede, reduz a exposição dos equipamentos e contribui para diminuir ocorrências provocadas por sobrecargas e interferências externas.
Pilla afirmou que os equipamentos já são utilizados por distribuidoras de diferentes regiões do país e que a mudança não altera a tarifa nem interfere no consumo dos clientes.
A modernização também inclui tecnologias para ampliar o monitoramento da rede, tornar a operação mais eficiente e permitir respostas mais rápidas em casos de falhas.
Amazonas terá novas subestações
O planejamento prevê ainda a retomada do Programa Luz para Todos e a ampliação da infraestrutura de distribuição.
Até 2028, estão previstas 12 novas subestações, número que poderá chegar a 15 nos próximos cinco anos. As unidades deverão ampliar a capacidade de atendimento e reforçar o sistema em áreas com crescimento da demanda.
Entre as intervenções prioritárias está a construção de uma nova rede para atender Iranduba e Manacapuru, municípios onde a empresa identificou necessidade de reforço estrutural.
Companhia prevê redução das perdas
Outro eixo do plano é o combate às perdas de energia. Segundo os dados apresentados pela empresa durante a audiência, aproximadamente 44% da energia injetada na rede não é faturada, principalmente em razão de desvios e ligações irregulares.
De acordo com a Âmbar, essas ocorrências comprometem a eficiência do sistema, provocam sobrecargas, aumentam o risco de falhas e reduzem a capacidade da rede.
A estratégia inclui modernização da infraestrutura, utilização de novas tecnologias de monitoramento e ações de regularização para reduzir gradualmente as perdas.
Empresa explica reajuste nas contas
Durante a audiência, João Pilla também respondeu a questionamentos sobre as faturas de energia. Segundo ele, a tarifa é regulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e teve reajuste de 3,79%.
O diretor-presidente explicou ainda que o valor das contas pode variar conforme o consumo, especialmente durante o período mais quente do ano, quando aumenta o uso de equipamentos como ventiladores e condicionadores de ar.
A composição da tarifa envolve custos de geração e transmissão, encargos setoriais, tributos e despesas relacionadas à operação do sistema de distribuição.
Com o plano apresentado na Aleam, a Âmbar Energia prevê um novo ciclo de investimentos para modernizar a infraestrutura elétrica do Amazonas e melhorar gradualmente a qualidade e a confiabilidade do fornecimento de energia no Estado.
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