Manaus (AM) – O Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futsal (STJD) anulou nesta sexta-feira (18) o julgamento realizado pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Amazonas (TJD-AM) sobre a confusão ocorrida após a final do Campeonato Amazonense Sub-20 de Futsal. O caso envolve a agressão ao árbitro Elson Barão e questionamentos apresentados pela defesa do Recanto da Criança sobre o início do tumulto.
A partida ocorreu em 30 de julho, na Arena Amadeu Teixeira, em Manaus. O Grêmio da Amazônia venceu o Recanto da Criança por 8 a 3 e conquistou o título estadual. Logo após o apito final, jogadores e integrantes ligados ao Recanto foram em direção ao árbitro, e uma confusão terminou com Barão cercado e atingido por socos, chutes e tapas.
As imagens divulgadas naquele momento mostraram principalmente a agressão ao árbitro. A Federação Amazonense de Futebol de Salão (FAFS) repudiou o episódio e informou que atletas e integrantes da comissão técnica do Recanto foram suspensos preventivamente até o julgamento.
Como começou a confusão
A versão inicialmente divulgada apontava que a confusão começou quando jogadores do Recanto foram até o árbitro depois do encerramento da partida. As imagens que circularam nas redes sociais registraram a sequência em que Barão foi cercado e agredido.
O representante e treinador do Recanto da Criança, Itamar Oliveira, apresentou outra versão. Segundo ele, um jogador do clube, identificado como camisa 16, aproximou-se do árbitro para questioná-lo e teria recebido um soco antes de qualquer agressão contra o profissional.
Oliveira afirmou que tentou intervir e, junto com a fisioterapeuta da equipe, formou um cordão para proteger o árbitro. O dirigente negou que o clube tenha incentivado as agressões.
A discussão sobre o início do tumulto ganhou novo elemento em agosto, quando a defesa apresentou outras imagens ao TJD-AM.
Novas imagens mudaram a discussão
Segundo a defesa do Recanto da Criança, as novas imagens mostram um momento anterior à pancadaria e registram o árbitro Elson Barão atingindo o jogador Kevin Gabriel com um soco no peito.
O clube sustentou que esse episódio ocorreu antes da agressão que aparece nos vídeos divulgados após a partida. A defesa também apresentou imagens que, segundo sua interpretação, mostram integrantes da comissão técnica formando um cordão de isolamento ao redor do árbitro para levá-lo ao vestiário.
As imagens foram anexadas ao processo. O TJD-AM determinou então o retorno do caso à Procuradoria para novas investigações. Em uma das gravações apresentadas pela defesa, o delegado da partida aparece responsabilizando o árbitro pelo início da confusão e dizendo: “Você é o culpado”.
Isso não significa que o tribunal tenha concluído que o árbitro foi responsável pelo tumulto. O que ocorreu foi a reabertura da apuração para que os novos elementos fossem analisados.
O processo na Justiça Desportiva
Depois da confusão, a Procuradoria do TJD-AM denunciou atletas e integrantes do Recanto da Criança pelos acontecimentos após a final.
A defesa do clube também apresentou notícia de infração envolvendo a federação e a arbitragem. O objetivo era levar à apuração fatos que, segundo o Recanto, não estavam contemplados na denúncia original.
Na primeira instância, a Comissão Disciplinar determinou que a Procuradoria reavaliasse o caso após os questionamentos apresentados pela defesa, inclusive sobre informações registradas na súmula da partida. A Procuradoria recorreu dessa decisão ao Pleno do TJD-AM.
Foi nesse julgamento de segunda instância que surgiu a questão que levou o processo ao STJD.
Defesa questionou julgamento no TJD-AM
A defesa do Recanto alegou que seu advogado não pôde atuar normalmente no julgamento do Pleno por causa de uma discussão sobre a procuração apresentada no processo.
O clube também informou que havia pedido o adiamento da sessão porque o advogado havia passado por cirurgia no dia anterior. Segundo a defesa, o pedido estava acompanhado de atestado médico.
O pedido não foi acolhido pelo tribunal regional. A defesa então recorreu ao STJD alegando cerceamento do direito de defesa.
STJD anula decisão do TJD-AM
Ao analisar o recurso, o STJD reconheceu o cerceamento de defesa e anulou o acórdão do TJD-AM.
O relator classificou o episódio como “cerceamento de defesa absurdo”, conforme a decisão divulgada nesta sexta-feira. O tribunal determinou que o processo retorne à primeira instância para novo julgamento, garantindo a participação da defesa.
A decisão não encerra a apuração sobre a confusão. Ela anula o julgamento realizado no TJD-AM e determina que o processo seja novamente analisado.
Procuradoria terá 48 horas
Além de determinar o novo julgamento, o STJD estabeleceu prazo de 48 horas para a Procuradoria do TJD-AM se manifestar sobre as notícias de infração apresentadas contra a arbitragem e a federação.
Segundo a decisão, esses procedimentos estavam sem andamento havia mais de um mês. Caso a determinação não seja cumprida, o STJD poderá assumir a condução dos procedimentos, conforme os termos da decisão.
O que ainda será apurado
A nova etapa da Justiça Desportiva terá de analisar dois conjuntos de fatos.
O primeiro envolve as agressões contra o árbitro após o encerramento da partida, registradas nos vídeos que foram divulgados publicamente.
O segundo envolve os acontecimentos anteriores à pancadaria, especialmente as imagens apresentadas posteriormente pela defesa do Recanto e as acusações feitas pelo clube contra a arbitragem e a federação.
A decisão do STJD não estabelece, por si só, quem iniciou a confusão. Essa questão permanece dentro da apuração desportiva.
O novo julgamento também deverá esclarecer as responsabilidades individuais dos envolvidos, com base nas provas que forem consideradas válidas pelo tribunal.
A FAFS havia suspendido preventivamente atletas e integrantes da comissão técnica do Recanto após o episódio, enquanto o caso aguardava julgamento.
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