Manaus (AM) – O cabo da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Rayson Rodrigo Batista de Sá, de 36 anos, foi preso preventivamente nesta segunda-feira (22), em Manaus, sob a grave acusação de gerenciar uma casa de prostituição. O estabelecimento, localizado no bairro Petrópolis, na zona Sul da capital, funcionava há cerca de um ano e era utilizado para a exploração sexual de adolescentes de 15 e 17 anos, aliciadas no município de Itacoatiara (a 176 quilômetros da capital).
A operação foi desencadeada pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), em ação conjunta com a PMAM, após a Ronda Maria da Penha receber o alerta de uma ONG. A denúncia indicava o paradeiro da menor de 15 anos, que estava dada como desaparecida pela família no interior do estado desde o dia 1º de junho.
Monitoramento por câmeras e faturamento via Pix
De acordo com a delegada Mayara Magna, titular da Depca, o cabo da PM alugou o imóvel e utilizava plataformas digitais e aplicativos de mensagens para anunciar os serviços sexuais das adolescentes. O militar controlava o fluxo e a rotina da residência em tempo real por meio de um sistema de monitoramento de vídeo interno.

“Existiam câmeras dentro da casa e ele avisava por meio dessas câmeras: ‘Está chegando um homem assim, assim, assim e será feito um programa'”, detalhou a delegada.
Durante a busca e apreensão, as equipes policiais apreenderam um caderno com a contabilidade do crime. Cada programa era comercializado pelo valor médio de R$ 150. Desse total, R$ 60 ficavam retidos com o policial e R$ 90 eram repassados às vítimas. Toda a movimentação financeira era centralizada diretamente na conta do militar por meio de transferências via Pix ou dinheiro em espécie.
As jovens foram atraídas para Manaus com falsas promessas de emprego, mas ao desembarcarem na cidade, foram trancadas na residência e forçadas a se prostituir sob o pretexto de quitar dívidas de alojamento e alimentação. Moradores da área sabiam da rotina da casa, mas relataram que tinham medo de denunciar por se tratar de um agente de segurança pública. O argumento do suspeito de que teria apenas sublocado o espaço para a jovem de 17 anos foi derrubado após a proprietária do imóvel confirmar o contrato direto com o militar.
Vítima infectada com IST e rastreio de clientes
O desdobramento das investigações revelou dados ainda mais alarmantes. Após o resgate, exames clínicos apontaram que a menor de 15 anos contraiu sífilis devido à rotina de abusos a que era submetida, chegando a realizar mais de três programas por dia. Os policiais encaminharam a adolescente imediatamente a uma unidade de saúde para tratamento médico e suporte assistencial. Atualmente, ela está sob a tutela do Estado em um abrigo seguro, enquanto a jovem de 17 anos já foi devolvida aos familiares.
Agora, a Polícia Civil e a Polícia Militar trabalham no cruzamento de dados bancários para identificar e rastrear todos os clientes que fizeram transferências financeiras via Pix para o cabo. Por se tratar de crime envolvendo menores de idade, os homens que contrataram os serviços também responderão criminalmente.
Afastamento e risco de expulsão da PM
Na estrutura da corporação, Rayson Rodrigo exercia funções burocráticas e administrativas no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap).
O Coronel Corrêa Júnior, diretor da Diretoria de Justiça e Disciplina da PMAM, confirmou que o militar foi imediatamente afastado de suas funções públicas. Um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) com prazo de condução de 180 dias foi instaurado, e o cabo corre risco real de expulsão definitiva da instituição. Na esfera criminal, ele foi indiciado pelos crimes de favorecimento à prostituição e rufianismo.
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