Manaus (AM) – A Polícia Civil do Amazonas realizou, na manhã desta sexta-feira (6), uma operação de busca e apreensão na residência da empresária e ex-candidata ao Governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair (PL), de 66 anos. A diligência ocorreu no bairro Nossa Senhora das Graças, zona Centro-Sul de Manaus, em uma investigação sobre a divulgação de vídeos envolvendo o senador e governador eleito Omar Aziz (PSD) e a filha dele, que é menor de idade.
A ação foi conduzida por policiais da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). O material publicado nas redes sociais durante a campanha eleitoral associava Omar Aziz a casos de pedofilia e utilizava a imagem da filha do político.
A investigação apura possível violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O procedimento foi iniciado após uma notícia-crime apresentada por Omar Aziz.
Celular e documentos foram apreendidos
Durante a operação, os policiais recolheram documentos e o celular da empresária. O material eletrônico será submetido à extração e análise de dados para identificar possíveis elementos relacionados à investigação.
Segundo o delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, a apuração também busca esclarecer o grau de participação de Maria do Carmo na publicação dos vídeos.
A empresária não estava na residência quando os policiais chegaram. Ela apareceu posteriormente, acompanhada de dois advogados.
Maria do Carmo havia obtido um habeas corpus em 30 de outubro para impedir o cumprimento das buscas. No entanto, a ordem judicial foi restabelecida. A defesa também apresentou um pedido de habeas corpus preventivo para evitar uma eventual prisão, mas, até o momento da operação, não havia decisão sobre essa solicitação.
Defesa denuncia perseguição política
Em nota, a assessoria jurídica de Maria do Carmo contestou a operação e alegou abuso de autoridade durante o cumprimento da ordem judicial. Os advogados também classificaram a medida como uma forma de perseguição política.
A defesa afirmou que garantias legais e prerrogativas da advocacia não teriam sido respeitadas durante a diligência. Também questionou a divulgação de informações sobre o caso, que, segundo os advogados, tramita em segredo de Justiça.
Os representantes da empresária disseram ainda que ela está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e apontar os responsáveis por eventuais violações de direitos.
A nota afirma que Maria do Carmo mantém confiança na própria inocência e considera que o cumprimento de uma ordem judicial não autoriza as autoridades a ultrapassarem os limites legais.
Na quinta-feira (5), em vídeo publicado nas redes sociais, a ex-candidata já havia declarado que aguardava a diligência e estava preparada para colaborar com a Justiça.
“Estou aqui para colaborar e acredito que a Justiça dos homens será feita, porque a Justiça de Deus não falha. O fogo, quando não tem palha, não espalha”, afirmou.
A investigação continua sob responsabilidade da Polícia Civil. Até o momento, não há informação sobre eventual indiciamento da empresária.
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