Antaq suspende ‘Taxa de Pouca Água’ que penalizava ZFM e comércio do AM

A Antaq proibiu a cobrança de até US$ 5 mil por contêiner para Manaus, uma sobretaxa logística que elevava custos da Zona Franca e do comércio.

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Agência Nacional de Transportes Aquaviários proibiu a cobrança de sobretaxa em contêineres após articulação política e empresarial contra o custo logístico abusivo no Rio Negro

Manaus (AM) – A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) derrubou a chamada “Taxa de Pouca Água”, cobrada por armadores internacionais no transporte de contêineres para a Zona Franca de Manaus (ZFM) e o comércio amazonense. A decisão foi formalizada em portaria após articulação em Brasília que envolveu o deputado federal Pauderney Avelino (União-AM) e lideranças empresariais.

A cobrança irregular alcançava o valor de US$ 5.000,00 por contêiner, elevando drasticamente os custos do transporte de mercadorias e insumos para o Amazonas. A mobilização em conjunto com a Associação Comercial do Amazonas (ACA), Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e o Centro das Indústrias do Amazonas (Cieam) foi decisiva.

O parlamentar classificou a sobretaxa como “exploração”, aplicada sem respaldo técnico ou estudos hidrológicos que justificassem o aumento.

Segundo ele, o acréscimo tarifário era abusivo, especialmente em períodos sem baixa crítica do Rio Negro, penalizando diretamente as empresas e, por consequência, o consumidor final.

Nova Regra e Impacto na ZFM

A Antaq acatou o pleito e publicou a portaria que proíbe a cobrança da taxa.

A sobretaxa só poderá ser aplicada quando o nível do Rio Negro atingir a cota de 17,7 metros.

A agência estabeleceu, ainda, que a cobrança deve anunciar a taxação com antecedência para que as empresas possam se organizar logisticamente.

O presidente do Centro das Indústrias do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, destacou que a suspensão representa um alívio imediato para a competitividade regional.

“Essa taxa era um custo logístico invisível, mas altíssimo, que corroía as margens das indústrias da Zona Franca e se refletia no custo de vida do amazonense. A decisão da Antaq protege a competitividade de nosso Polo Industrial de Manaus e garante que o acesso a insumos não seja inviabilizado por sobretaxas injustificadas”, afirmou.

Contexto Amazônico e a BR-319

A discussão sobre a taxa evidencia a vulnerabilidade logística do Amazonas, que depende quase integralmente do modal fluvial. A ausência de uma ligação terrestre eficiente com o restante do país, devido à falta de pavimentação da BR-319, torna a economia regional refém de custos logísticos maiores e flutuações sazonais.

A pavimentação da BR-319 é considerada fundamental para reduzir a dependência fluvial, diminuir os custos de transporte e insumos e garantir segurança logística para a ZFM e o abastecimento de Roraima.

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