Deputado defende pavimentação com monitoramento sanitário e critica veto técnico sem alternativas para o isolamento do Amazonas
Manaus (AM). O deputado estadual Comandante Dan (Podemos) afirmou, nesta terça-feira (20) que a nova pavimentação da BR-319 precisa ser tratada como obra de Estado, com planejamento, ciência, monitoramento sanitário e fiscalização ambiental, e não como solução improvisada ou decisão baseada apenas em veto técnico.
A manifestação ocorre após a divulgação de um estudo conduzido por instituições científicas, entre elas a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que aponta alto risco à saúde com o asfaltamento do chamado “trecho do meio” da rodovia.
Segundo os pesquisadores, a obra poderia romper o isolamento biológico da Amazônia profunda e facilitar a liberação de vírus e bactérias desconhecidos, com potencial para novas zoonoses e até pandemias.
Ciência precisa dialogar com a realidade humana
O parlamentar afirmou respeitar a ciência, mas criticou a ausência de propostas concretas diante dos riscos já enfrentados pela população amazonense.
“Respeito a ciência, mas a hipótese não pode virar um simples veto impeditivo. O maior risco hoje é a ambulância que não passa e o socorro que não chega. O veto é ao asfaltamento ou a qualquer forma de pavimentação? Se for total, qual é a alternativa? Vamos ficar eternamente isolados do resto do país?”, questionou.
Dan lembrou os períodos de isolamento registrados em 2023 e 2024, quando o estado enfrentou dificuldades logísticas, risco de desabastecimento e comunidades inteiras ficaram sem acesso por via terrestre.
Custo econômico e impacto ambiental do abandono
O deputado também citou dados da Pesquisa Rodovias 2025, da Confederação Nacional do Transporte (CNT), que apontam que as más condições das rodovias no Amazonas elevam o custo operacional do transporte em 57,5%.
Esse aumento, segundo o levantamento, impacta diretamente o preço dos produtos e a competitividade do Brasil.
Além disso, apenas em 2025, a má qualidade da malha rodoviária resultou em consumo adicional de 16,7 milhões de litros de diesel, gerando um prejuízo de R$ 95,78 milhões aos transportadores e a emissão de 44,04 mil toneladas de gases de efeito estufa.
“Quem vai arcar com esse risco humano e ambiental?”, questionou o parlamentar.
Pavimentar com fiscalização e vigilância
Para Comandante Dan, a pavimentação da BR-319 precisa ser acompanhada de monitoramento sanitário, vigilância ambiental e presença permanente do poder público.
“A BR-319 pavimentada, com fiscalização e controle, é dignidade e competitividade. É sobrevivência. O que mata hoje é a ausência de acesso, de socorro e de logística”, afirmou.
Segundo ele, não se pode condenar a obra apenas por hipóteses sem cadeia de transmissão comprovada e sem apresentar uma alternativa viável de integração terrestre.
Experiências em áreas ambientalmente sensíveis
O deputado citou como exemplo a Rodovia Transpantaneira (MT-060), no Mato Grosso, construída em uma área de elevado valor ambiental.
Diferentemente de uma rodovia asfaltada, a via utiliza aterro elevado e revestimento primário, com manutenção constante para garantir trafegabilidade durante o período de cheias.
A estrada exige uso contínuo de máquinas pesadas para recomposição da base, demonstrando que há modelos intermediários entre o abandono e o asfaltamento convencional.
Falta de acesso também enfraquece a fiscalização
Comandante Dan criticou o que chamou de mudança constante dos argumentos contrários à obra.
“Antes diziam que a estrada destruiria a floresta. Agora falam em patógenos desconhecidos. O que destrói hoje é a falta de acesso e, portanto, de fiscalização ambiental. Até quando vamos repetir essa novela?”, afirmou.
O deputado também lembrou a crise do oxigênio durante a pandemia de Covid-19, quando o isolamento do Amazonas agravou a situação.
“Quando nossa gente precisava de oxigênio para não morrer sufocada, não tivemos alternativa. A dificuldade dos nossos cidadãos sempre será um preço a ser pago?”, questionou.
Movimento Soluciona BR-319
Dan Câmara, nome civil do deputado Comandante Dan, lidera na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) o movimento “Soluciona BR-319”, que defende a trafegabilidade segura da rodovia como única ligação terrestre do Amazonas com o restante do país.
O parlamentar também esteve à frente de protestos pela reconstrução imediata das pontes sobre os rios Curuçá e Autaz-Mirim, consideradas pontos críticos da BR-319.
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