Manaus (AM) – O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), Valdemir Santana, pediu publicamente nesta quinta-feira (10) que a Moto Honda cancele a visita do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), prevista para esta sexta-feira (11), em Manaus.
A manifestação ocorre às vésperas de uma agenda do candidato presidenciável no Polo Industrial de Manaus (PIM). A programação prevê uma visita à fábrica da Honda pela manhã, antes de compromissos políticos com aliados e apoiadores na capital.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Santana afirmou que a presença de Flávio na fábrica seria inadequada por causa de posições que o senador já manifestou sobre a Zona Franca de Manaus e sobre temas trabalhistas.
“Quero pedir à direção da Moto Honda que cancele essa visita.”
O sindicalista também afirmou que o sindicato não é contrário à participação política, mas defendeu que a defesa dos empregos do Polo Industrial deve ser considerada na escolha de quem visita as fábricas.
Por que a visita à Honda ganhou peso político
A Honda ocupa uma posição simbólica na agenda de Flávio Bolsonaro porque a empresa faz parte do Polo Industrial de Manaus, cuja competitividade depende dos incentivos tributários associados à Zona Franca.
A escolha da fábrica também ocorre depois de Flávio ter adotado, durante a campanha, um discurso de defesa do modelo. Em transmissão realizada na noite desta quinta-feira (10), em Manaus, o candidato afirmou que considera a Zona Franca um patrimônio do país e disse que pretende estimular sua modernização com tecnologias como inteligência artificial e data centers.
O discurso atual, porém, contrasta com declarações feitas pelo senador durante a discussão da reforma tributária no Congresso, em 2023.
O que Flávio disse sobre a Zona Franca em 2023
Em 7 de novembro de 2023, durante a votação da reforma tributária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Flávio Bolsonaro criticou a manutenção de vantagens comparativas da Zona Franca.
Na ocasião, ele ironizou a proteção concedida ao modelo e afirmou:
“Manaus tem que ser o novo Vale do Silício e o resto do Brasil uma Argentina.”
O pronunciamento consta nos registros oficiais do Senado. Na mesma intervenção, Flávio argumentou que a estrutura prevista na reforma poderia provocar deslocamento de indústrias para Manaus e gerar desemprego em outras regiões do país.
Flávio votou contra o parecer da reforma tributária na CCJ. O relatório acabou aprovado por 20 votos a 6.
O que estava em discussão
A discussão ocorria em torno da forma de preservar a competitividade da Zona Franca dentro do novo sistema tributário.
O texto analisado no Senado previa uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre produtos produzidos fora da Zona Franca que também tivessem produção incentivada no polo de Manaus. A medida buscava preservar a vantagem competitiva das empresas instaladas no Amazonas após a transição do sistema tributário.
Na versão final da reforma, o mecanismo foi alterado durante a tramitação na Câmara. A Cide proposta pelo Senado não permaneceu no texto final; a solução aprovada preservou instrumentos tributários específicos para manter a competitividade da ZFM.
Crítica do sindicato ocorre antes de encontro com setor industrial
O pedido de Valdemir Santana ganha dimensão política porque ocorre justamente quando Flávio Bolsonaro tenta apresentar uma nova posição sobre a Zona Franca durante sua passagem pelo Amazonas.
O candidato chegou a Manaus nesta quinta-feira (10) e manteve encontros fechados com aliados. Para sexta-feira, estão previstos a visita à Honda, gravações com candidatos do PL e um evento político na Ponta Negra.
O candidato ao Senado Capitão Alberto Neto, aliado de Flávio no Amazonas, afirmou que já conversou com o presidenciável sobre a Zona Franca e que ele atualmente apoia o modelo. Segundo Alberto Neto, a visita à Honda permitirá que Flávio conheça de perto a estrutura industrial da empresa.
Honda não anunciou cancelamento da agenda
Até a publicação desta matéria, a Moto Honda não informou o cancelamento ou a alteração da visita prevista para sexta-feira.
Também não há indicação de que o pedido do Sindmetal tenha sido aceito pela empresa.
A agenda divulgada pelos veículos locais continua apontando a visita à fábrica como um dos compromissos de Flávio Bolsonaro em Manaus.
Disputa sobre a ZFM entra na campanha presidencial
O episódio expõe uma questão que deve ganhar espaço durante a campanha de 2026: qual será, na prática, a política de cada candidato para a Zona Franca de Manaus e para o Polo Industrial?
No caso de Flávio Bolsonaro, a passagem pelo Amazonas ocorre depois de uma mudança perceptível no discurso sobre o modelo. Em 2023, ele criticou as vantagens tributárias preservadas na reforma. Agora, em campanha presidencial, afirma que pretende fortalecer a ZFM e investir em novas tecnologias.
SAIBA MAIS
A Zona Franca de Manaus é um modelo de desenvolvimento regional criado para estimular a atividade econômica na Amazônia. A reforma tributária aprovada pelo Congresso preservou mecanismos específicos para manter a competitividade do modelo durante a transição para o novo sistema de tributação.
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Principais conclusões:
- Valdemir Santana, presidente do Sindmetal-AM, pediu que a Moto Honda cancele a visita de Flávio Bolsonaro em Manaus, citando posições contrárias do candidato sobre a Zona Franca.
- A visita ganha relevância política por Flávio ser um defensor da Zona Franca, apesar de suas críticas anteriores durante a reforma tributária.
- Flávio, em discursos, promete apoiar a modernização da Zona Franca e atrair novas tecnologias, mas sua posição anterior causa desconfiança.
- Até o momento, a Honda não anunciou cancelamento da visita marcada, e Flávio segue com sua agenda política em Manaus.
- A disputa sobre a Zona Franca de Manaus emerge como um tema central na campanha presidencial de 2026, levantando questões sobre as políticas futuras de candidatos.