24 casos de epidermólise bolhosa no Amazonas exigem curativos

Fragilidade da pele e força pela vida: a realidade das "Crianças Borboletas" e a luta por insumos vitais

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Fragilidade da pele e força pela vida: a realidade das “Crianças Borboletas” e a luta por insumos vitais


Manaus (AM) – A vida de 24 amazonenses diagnosticados com Epidermólise Bolhosa (EB), em tratamento na rede público do Estado, é marcada pela dor e por uma impressionante resiliência. Esta doença genética rara, que torna a pele tão frágil quanto as asas de uma borboleta, impõe aos pacientes desafios diários, sendo o mais urgente o acesso contínuo a curativos especializados.

Desde 1976 até 2025, a Fundação Hospitalar Alfredo da Matta (FUHAM) registrou 53 diagnósticos da doença no Amazonas. Atualmente, 24 pacientes recebem tratamento na unidade, conforme dados oficiais da instituição. A realidade é uma dicotomia entre a resiliência demonstrada por alguns e o isolamento imposto pela extrema fragilidade da condição.

Resiliência e a luta por dignidade de portadores de Epidermólise Bolhosa

Jorge Filho, um amazonense de 59 anos, personifica a força contra a EB. Ele convive com a condição desde a infância, e mesmo após a perda dos dois pés devido a um câncer de pele desenvolvido nas feridas crônicas da doença, ele mantém uma rotina ativa.

“Procuro levar a minha vida normal, faço parte de uma comunidade de igreja e associações. Busco viver sempre vencendo as dificuldades que aparecem pela frente”, afirma Jorge.

O caso de Jorge demonstra o caráter hereditário da EB, pois sua esposa e duas irmãs também compartilham o diagnóstico. No entanto, o desafio prático persiste: a falta de insumos. Jorge revela a dificuldade em obter o material vital:

“Conviver com Epidermólise Bolhosa é muito difícil. Os desafios são muitos, porque há muita dificuldade em relação aos curativos, que recebo sempre por doações, e tenho sempre que ficar buscando com alguém.”

A importância do curativo especializado é inegável, pois ele é crucial para evitar infecções e complicações secundárias que podem ser fatais, como o câncer de pele que levou à amputação no caso de Jorge.

Isolamento e a fragilidade extrema na Epidermólise Bolhosa

Em forte contraste, a rotina da adolescente Julinha, de 13 anos, com a forma distrófica da EB, é de um isolamento quase total. Sua pele, de extrema delicadeza, unida à baixa imunidade, a deixa vulnerável a infecções, forçando-a a sair pouco de casa. A comparação de sua pele com as asas de uma borboleta, que dá nome aos pacientes de “Crianças Borboletas”, evidencia a severidade da doença.

A Epidermólise Bolhosa é uma condição genética hereditária e rara que compromete a produção das proteínas que ligam as camadas da pele. Essa falha estrutural faz com que a pele se rompa e forme bolhas com mínimos atritos, traumas ou calor, manifestando-se em muitos casos já ao nascimento.

Sandra Marvin, presidente da Associação Borboletas do Amazonas (Abam), reforça a gravidade. Ela explica que a doença afeta igualmente homens e mulheres e as consequências vão além do físico.

“É comum também que a EB provoque dor e afete a vida cotidiana física e emocional dos pacientes,” aponta Marvin. A presidente salienta que a fragilidade física de Julinha, por exemplo, exige um cuidado redobrado e contínuo.

Abam luta por políticas públicas

A Associação Borboletas do Amazonas (Abam) atua diretamente nessa lacuna, buscando garantir direitos, visibilidade e suporte aos pacientes em Manaus e no interior. A missão da entidade é transformar a realidade da comunidade “borboleta”, marcada frequentemente pelo isolamento social e pela ausência de recursos essenciais.

É neste contexto que a Abam pressiona por políticas públicas que assegurem o fornecimento regular de curativos, medicamentos e o acompanhamento multidisciplinar de qualidade.

A conscientização sobre a Epidermólise Bolhosa no Amazonas, segundo Sandra Marvin, é o primeiro e mais vital passo para que a sociedade e o poder público reconheçam a gravidade e as necessidades desses pacientes, garantindo-lhes segurança e dignidade.

A história de Jorge, que apesar das limitações físicas, conseguiu trabalhar por 20 anos na rede pública em uma policlínica, serve de inspiração e prova que, com o apoio e os recursos adequados, é possível ter uma vida social e profissional ativa, mas isso depende da ação imediata do poder público para fornecer os insumos.

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