Manaus (AM) – Depois de quase três décadas de presença consecutiva na Câmara dos Deputados, Silas Câmara (Republicanos) ficará fora do Congresso Nacional a partir de 2027. O deputado federal não conseguiu se reeleger nas eleições deste domingo (4), encerrando uma sequência de oito eleições consecutivas vencidas desde 1998, quando conquistou pela primeira vez uma vaga para representar o Amazonas em Brasília.
Aos 63 anos, Silas recebeu 93.497 votos e terminou como o segundo candidato mais votado do Republicanos. Mesmo com uma votação expressiva, não conseguiu renovar o mandato porque o partido conquistou apenas uma das oito cadeiras destinadas ao Amazonas. A vaga ficou com Amom Mandel, que recebeu 119.265 votos.
A derrota interrompe uma trajetória iniciada nas eleições de 1998. Naquele ano, Silas foi eleito pelo PL com 38.310 votos. Desde então, conseguiu renovar o mandato em 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. Com a eleição de 2026, foram oito disputas consecutivas para deputado federal, todas com vitória até este domingo. A Câmara registra mandatos de Silas desde 1999.
A matemática que tirou Silas da Câmara
O resultado de Silas é um exemplo de como funciona o sistema proporcional das eleições para deputado federal. A distribuição das oito cadeiras do Amazonas não considera apenas a votação individual de cada candidato. Primeiro, os votos obtidos pelos partidos e federações definem quantas vagas cada legenda terá direito; depois, os candidatos mais votados dentro de cada grupo ocupam essas cadeiras.
No Republicanos, Amom Mandel foi o candidato mais votado e garantiu a única cadeira conquistada pela legenda. Silas, apesar de ter ficado em segundo lugar dentro do partido, acabou como suplente.
A estratégia da legenda era baseada justamente na força dos dois principais nomes. Amom chegou à eleição como um dos principais puxadores de votos do partido, enquanto Silas contava com uma estrutura política construída ao longo de décadas no Amazonas.
Em 2022, ainda por partidos diferentes, Amom Mandel foi o deputado federal mais votado do Estado, com 288.555 votos pelo Cidadania. Naquele mesmo pleito, Silas Câmara foi reeleito pelo Republicanos com 125.068 votos, terminando na quarta colocação geral. A expectativa desta vez era de que a força eleitoral de Amom ajudasse o Republicanos a alcançar mais de uma cadeira.
O partido, porém, conquistou somente uma vaga. Com isso, a votação de Amom foi suficiente para garantir o assento, enquanto Silas, mesmo com mais de 93 mil votos, não alcançou uma das oito cadeiras.
Ligação histórica com a Assembleia de Deus
A trajetória política de Silas também foi construída em estreita ligação com a Assembleia de Deus no Amazonas, uma das principais bases eleitorais do parlamentar. O deputado é irmão dos pastores Samuel Câmara e Jonatas Câmara, este último presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas e da Convenção Estadual da Assembleia de Deus no Amazonas.
A família Câmara possui uma longa atuação dentro da denominação religiosa. Samuel Câmara lidera a Assembleia de Deus em Belém e também esteve à frente da Rede Boas Novas, enquanto Jonatas comanda a igreja no Amazonas. A relação entre a estrutura religiosa e a atuação política da família tornou Silas uma das principais lideranças evangélicas do Estado.
Derrota dupla para a família Câmara
A eleição de 2026 também marcou uma derrota simultânea para a família Câmara. O irmão do deputado federal, o deputado estadual Comandante Dan Câmara, que disputava a reeleição na Assembleia Legislativa do Amazonas, também não conseguiu se reeleger.
Dan recebeu 32.351 votos e terminou fora das 24 cadeiras da Aleam. Ele ficou à frente de candidatos que conquistaram vagas, mas a distribuição proporcional das cadeiras de seu partido impediu a eleição.
Fim de um ciclo de oito eleições
A saída de Silas encerra uma das trajetórias mais longas da bancada amazonense em Brasília. Ele chegou à Câmara após ser eleito em 1998 e permaneceu no Congresso nas legislaturas seguintes, mudando de partido ao longo da carreira: PL, PTB, PSC, PSD, PRB e Republicanos.
A nova bancada federal do Amazonas terá oito nomes: Sargento Salazar, Sidney Leite, Adail Filho, Fausto Jr., Amom Mandel, Saullo Vianna, Joana Darc e Alfredo Nascimento. Silas Câmara, que esteve em todas as legislaturas desde 1999, não estará entre eles a partir de 2027.
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