Amazonas tem terceira maior taxa de fecundidade do Brasil

Amazonas registra média de 2,08 filhos por mulher, revela Censo 2022, com destaque para fecundidade tardia e perfil majoritário de mulheres pardas

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Amazonas registra terceira maio taxa de fecundidade do Brasil, com mudança no perfil reprodutivo

Manaus (AM) – O Amazonas ocupa o terceiro lugar no ranking nacional de taxa de fecundidade total (TFT), com média de 2,08 filhos por mulher em 2022, segundo os dados preliminares do Censo Demográfico do IBGE. No cenário regional, o estado fica atrás apenas de Roraima (2,19) na Região Norte, que é a única do país com índice médio acima da reposição populacional.

Fecundidade tardia e envelhecimento do perfil materno

Um dos destaques da pesquisa é o aumento da idade média da fecundidade, que chegou a 27,1 anos no Amazonas. Esse dado coloca o estado empatado com o Tocantins na terceira posição entre os estados do Norte com maior média etária de fecundidade, atrás de Rondônia (27,5) e Amapá (27,3).

A concentração dos nascimentos também sofreu deslocamento. Em 2010, os maiores percentuais estavam nas faixas de 25 a 34 anos. Já em 2022, mulheres de 35 a 44 anos passaram a liderar as estatísticas:

  • 35 a 39 anos: 12,49%

  • 40 a 44 anos: 12,15%

  • 30 a 34 anos: 11,69%

Mulheres pardas lideram fecundidade no estado

No Amazonas, mulheres pardas representam o maior contingente com filhos nascidos vivos, somando 696.410 mulheres entre 12 anos ou mais. Elas são seguidas por mulheres brancas (171.685), indígenas (68.683), pretas (47.118) e amarelas (2.106).

A tendência se confirma nacionalmente: em 2022, mulheres pardas lideraram em número de filhos por mulher (1,68), à frente de pretas (1,59) e brancas (1,35).

Instrução influencia o número de filhos

O maior grupo de mães no Amazonas é formado por mulheres com ensino médio completo e superior incompleto, somando 373.568.

Segundo o IBGE, quanto maior o nível de escolaridade, menor tende a ser a taxa de fecundidade, com o perfil reprodutivo deslocado para faixas etárias mais elevadas.

Comparativo nacional

A Região Norte tem a maior TFT entre as grandes regiões (1,89), seguida por:

  • Nordeste: 1,60

  • Centro-Oeste: 1,64

  • Sul: 1,50

  • Sudeste: 1,41

Os estados com as maiores taxas:

  1. Roraima – 2,19

  2. Amazonas – 2,08

  3. Mato Grosso – 1,85

E os menores:

  • São Paulo – 1,39

  • Distrito Federal – 1,38

  • Rio de Janeiro – 1,35

Fecundidade acumulada e gerações passadas

Entre as mulheres de 50 a 59 anos no Amazonas, a média de filhos nascidos vivos foi de 3,1 filhos em 2022, um dado que reflete a fecundidade acumulada ao longo da vida reprodutiva. O número é superior à média nacional e reafirma o perfil historicamente mais fértil da região Norte.

A Região Norte também teve o menor percentual de mulheres sem filhos vivos nessa faixa etária (13,9%), enquanto o Sudeste lidera com 18%.

Por que esses dados importam?

Esses indicadores ajudam a entender transformações profundas no comportamento reprodutivo das mulheres brasileiras, especialmente na Amazônia. As mulheres estão adiando a maternidade, refletindo mudanças no acesso à educação, saúde, mercado de trabalho e também nas expectativas individuais.

A análise da fecundidade por raça, idade e instrução também revela desigualdades estruturais que afetam diretamente a dinâmica populacional e precisam ser consideradas no planejamento de políticas públicas, especialmente nas áreas de saúde, educação, habitação e assistência social.

Leia mais:

IBGE aponta menos nascimento e óbitos no AM em 2022

Gláucia Chair
Gláucia Chairhttps://portalmeuamazonas.com.br/
Gláucia Chair é jornalista, pesquisadora e professora, com mais de 25 anos de atuação no mercado de comunicação e educação. CEO do Portal Meu Amazonas, também atua como consultora em conteúdo digital e estratégias de mídia. É Master em Jornalismo pelo Instituto Superior de Educação (ISE) e possui especializações em Literatura Moderna e Pós-Moderna, Docência do Ensino Superior e Comunicação, Design e Multimídia. Membro da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB), Gláucia se destaca pela defesa da valorização da produção jornalística e intelectual na Amazônia. Ao longo de sua trajetória, colaborou com veículos de destaque como Portal Amazônia, Jornal e Portal Em Tempo, Portal Radar 10, Revista ECO, Portal Vanguarda do Norte, i9Brasil e Portal Em Pauta.

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