O avanço da cheia nos principais rios do Amazonas perdeu intensidade e já apresenta sinais claros de estabilização, segundo dados divulgados nesta terça-feira (23) pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). O monitoramento indica que a cheia de 2026 deve se consolidar como um evento de magnitude média, sem perspectiva de agravamento nas principais áreas acompanhadas pelo órgão.
Em Manaus, o Rio Negro registrou cota de 28,49 metros e permaneceu estável nas últimas 24 horas. Apesar de permanecer acima da cota de inundação, fixada em 27,50 metros, o comportamento do rio está dentro do esperado para o período.
Em Manacapuru, no Rio Solimões, a cota alcançou 19,11 metros, também sem variação nas últimas 24 horas. O nível segue acima da cota de inundação de 18,20 metros, mas sem tendência de elevação significativa.
Já em Itacoatiara, no Rio Amazonas, o nível ficou em 13,78 metros, com redução de um centímetro no período. A marca permanece abaixo da cota de inundação de 14 metros e, segundo o SGB, a probabilidade de ultrapassar esse limite é inferior a 1%.
Em Parintins, a cota foi de 8,18 metros, mantendo estabilidade nas últimas 24 horas. O nível continua abaixo da cota de inundação de 8,43 metros.
Rio Negro apresenta desaceleração da enchente
O monitoramento aponta desaceleração do processo de enchente em toda a Bacia do Rio Negro. Em São Gabriel da Cachoeira, o rio subiu apenas 18 centímetros nos últimos sete dias. Em Barcelos, a elevação foi de 10 centímetros.
Em Manaus, o aumento acumulado na semana foi de apenas cinco centímetros, reforçando o cenário de estabilização observado nas últimas semanas.
Solimões já inicia processo de vazante
Na Bacia do Rio Solimões, o cenário é diferente. O trecho superior já entrou em vazante, com destaque para Tabatinga, onde o rio recuou 1,18 metro na última semana.
Nas áreas mais próximas de Manaus, a situação é de estabilidade. Em Itapéua, no município de Coari, e em Manacapuru, as oscilações ficaram em apenas quatro centímetros nos últimos sete dias.
Segundo o SGB, o comportamento atual dos rios acompanha a média histórica para esta época do ano.
Déficit de chuvas acende alerta para o segundo semestre
O órgão também destacou que o encerramento da estação chuvosa na Amazônia Ocidental ocorreu com déficit de precipitação em importantes bacias hidrográficas, incluindo os rios Coari, Juruá, Jutaí, Madeira e o curso principal do Solimões.
Diante desse cenário, o monitoramento recomenda atenção especial ao Alto Solimões. A forte redução dos níveis em Tabatinga pode antecipar riscos de estresse hídrico e até de uma estiagem severa no segundo semestre de 2026.
O acompanhamento hidrológico é realizado pela Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial do SGB em cooperação com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e as Defesas Civis.
SAIBA MAIS
• O monitoramento hidrológico acompanha em tempo real os níveis dos rios amazônicos.
• Manaus e Manacapuru permanecem acima das cotas de inundação, mas sem tendência de agravamento.
• Tabatinga já registra vazante expressiva e pode sinalizar riscos para a estiagem de 2026.
• Dados e alertas podem ser consultados pelo Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE) do Serviço Geológico do Brasil.
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