Manaus (AM) – O fogo que avança sobre áreas de vegetação no Amazonas pode estar sendo provocado deliberadamente. Imagens registradas por um drone em 7 de outubro mostram duas pessoas suspeitas de atear fogo em uma área de mata próxima a residências no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus.
Na gravação, os indivíduos aparecem perto das chamas. Enquanto um deles se afasta, o outro volta a se aproximar e acrescenta objetos ao fogo. Até a divulgação das informações, a identidade dos suspeitos não havia sido revelada, e a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que não houve prisões relacionadas à ocorrência, apenas orientações.
O flagrante ocorre em meio ao avanço dos incêndios florestais no estado, que têm deixado Manaus e municípios do interior cobertos por fumaça. A situação combina condições de estiagem, altas temperaturas e ações humanas que podem provocar ou agravar queimadas.
Fumaça compromete a qualidade do ar
A fumaça das queimadas tem afetado a rotina dos moradores da capital. Em outubro, a poluição atmosférica levou à suspensão de aulas e de atividades ao ar livre, enquanto instituições de ensino também adotaram medidas para reduzir a exposição de estudantes e trabalhadores.
O impacto também aparece nos serviços de saúde. Dados divulgados pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas apontaram 559 atendimentos relacionados à fumaça em Manaus entre 1º e 17 de outubro. A exposição à poluição pode agravar problemas respiratórios e provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse e falta de ar, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes.
A fumaça pode percorrer longas distâncias, transportada pelo vento, e permanecer no ar quando há pouca chuva. Por isso, incêndios em municípios vizinhos também podem contribuir para a piora da qualidade do ar na capital.
Incêndios avançam pelo interior
A crise não se limita a Iranduba. Municípios como Itacoatiara registraram incêndios de grandes proporções, incluindo ocorrências que atingiram áreas de vegetação por períodos prolongados. Na capital, focos de fogo em terrenos com vegetação e resíduos também contribuíram para a emissão de fumaça.
Levantamento divulgado pela Reuters apontou 1.679 ocorrências de incêndio no Amazonas nas duas primeiras semanas de outubro, alta de 253% em relação ao mesmo período do ano anterior. O cenário reforça a preocupação com a propagação das chamas durante a estiagem.
Governo amplia operação de combate
Diante do agravamento da situação, o governo federal anunciou o aumento da estrutura de combate aos incêndios no Amazonas. O número de aeronaves à disposição das operações foi ampliado para 16, com participação das Forças Armadas e reforço da atuação de órgãos ambientais e de segurança.
Também foi anunciada a instalação de uma estrutura conjunta de comando em Manaus para coordenar as operações e uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), prevista para começar a funcionar em 20 de outubro, para apoiar a resposta aos impactos da fumaça sobre a população.
Como denunciar queimadas
A identificação de pessoas que provocam incêndios é importante para interromper a propagação do fogo e responsabilizar os envolvidos, caso as irregularidades sejam comprovadas. Denúncias de crimes ambientais podem ser encaminhadas às autoridades policiais e aos órgãos de fiscalização ambiental.
Enquanto as equipes atuam no combate às chamas, a fumaça continua sendo um risco para moradores da capital e do interior. A prevenção, a fiscalização e a investigação de possíveis incêndios criminosos são medidas essenciais para reduzir os danos à floresta e proteger a saúde da população.
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