MANAUS (AM) — A custódia de policiais militares presos no Amazonas enfrentou uma sequência de crises ao longo de 2026. Em pouco mais de seis meses, 23 detentos deixaram uma unidade prisional, enquanto as autoridades investigaram possíveis facilidades para a fuga. Além disso, o sistema transferiu dezenas de policiais para um novo espaço e, mais recentemente, enfrentou um motim que terminou com quatro pessoas feitas reféns.
O episódio mais recente ocorreu entre a tarde de terça-feira (1º) e a madrugada desta quarta-feira (2), na Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM), localizada na BR-174, na zona rural de Manaus.
Policiais militares presos promoveram um motim e mantiveram quatro agentes que atuavam na guarda da unidade como reféns. A crise terminou por volta de 1h30, após a intervenção de equipes especializadas das forças de segurança.
A seguir, relembre os principais episódios envolvendo a custódia de policiais militares presos no Amazonas em 2026.
27 de fevereiro: 23 policiais deixam unidade prisional
A sequência de episódios começou em 27 de fevereiro, quando 23 policiais militares presos deixaram o então Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas, localizado no bairro Monte das Oliveiras, na zona Norte de Manaus.
A ausência dos detentos foi identificada durante uma vistoria de rotina. Segundo informações divulgadas na época, pelo menos 18 policiais retornaram espontaneamente ainda na mesma noite.
No dia seguinte, a Polícia Militar informou que todos os detentos haviam retornado à unidade e que não havia mais foragidos.
O caso, no entanto, deu início a investigações para apurar como os policiais conseguiram deixar o núcleo prisional.
17 de março: operação investiga possível facilitação
As investigações resultaram na deflagração da Operação Sentinela, que apurou possíveis irregularidades relacionadas à saída dos 23 policiais.
A investigação prendeu dois policiais militares sob suspeita de facilitarem a saída dos detentos. Durante as investigações, as autoridades também prenderam o então responsável pela unidade, o major Galeno Edmilson de Souza Jales. Posteriormente, a Polícia Militar o excluiu da corporação.
Após o episódio, a corporação passou a adotar medidas relacionadas à segurança e à investigação sobre a custódia dos policiais militares presos.
12 de maio: 71 policiais transferidos para nova unidade
Meses depois, o Amazonas iniciou a mudança da estrutura utilizada para custodiar os policiais militares presos.
As autoridades transferiram 71 detentos do antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas, na BR-174, na zona rural de Manaus.
A unidade passou a funcionar no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus, nas proximidades do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).
A transferência integrou a Operação Sentinela Maior e marcou o processo de desativação da antiga unidade prisional.
A operação também acompanha por familiares dos policiais presos, que realizaram protestos durante a movimentação dos detentos.

1º de setembro: motim termina com quatro policiais reféns
O episódio mais recente começou na tarde de terça-feira (1º), quando policiais militares presos promoveram um motim na nova unidade prisional, localizada na BR-174.
Quatro policiais que atuavam na guarda do local foram feitos reféns pelos internos. Segundo informações divulgadas durante a ocorrência, entre os agentes estavam um major e três soldados.
A negociação para encerrar a crise contou com o acompanhamento de representantes da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) e da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM).
Durante o motim, os internos quebraram câmeras de segurança e danificaram celas da unidade.
Os policiais presos reclamaram de mudanças internas, como alterações no dia de visitas e a retirada de benefícios que as autoridades não detalharam.
Uma das principais reivindicações dos internos era a transferência para outra unidade. Os policiais presos queriam retornar ao antigo núcleo prisional, possibilidade que foi descartada durante as negociações.
2 de setembro: forças de segurança retomam controle da unidade
As equipes especializadas encerraram a crise por volta de 1h30 desta quarta-feira (2), após entrarem na unidade.
Os quatro policiais mantidos reféns foram libertados e receberam atendimento. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, ninguém ficou ferido.
Cerca de 120 policiais participaram da operação, incluindo equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Canil, Cavalaria, Grupo Marte, Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) e 1º Batalhão de Choque.
Após o fim do motim, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas informou que procedimentos serão instaurados para apurar as circunstâncias da ocorrência e possíveis crimes cometidos pelos policiais militares custodiados na unidade.
As autoridades também devem encaminhar as informações ao Ministério Público do Estado do Amazonas e à Justiça Militar.
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