Programa de Manaus é apresentado ao Governo de São Paulo e chama atenção por reduzir alagações, reassentar famílias e melhorar saneamento básico
Manaus (AM) – O Prosamin+ saiu das margens dos igarapés de Manaus para o radar nacional. O programa, que atua diretamente na redução de alagações e no reassentamento de famílias em áreas de risco, foi apresentado ao Governo de São Paulo como referência em urbanização socioambiental durante workshop promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O interesse não é retórico. São Paulo busca soluções para áreas precárias, especialmente regiões com palafitas e ocupações em zonas alagáveis. Nesse contexto, a experiência amazônica entrou em cena como estudo de caso aplicado, com resultados mensuráveis na qualidade de vida da população.
O que está em jogo para a população
Criado para enfrentar um problema histórico de Manaus, as enchentes e a ocupação desordenada dos igarapés, o Prosamin+ atua onde o poder público costuma falhar. O programa reassenta famílias, implanta saneamento básico e reorganiza o espaço urbano em áreas antes dominadas por lama, esgoto a céu aberto e doenças de veiculação hídrica.
Ao longo de 20 anos, considerando as fases anteriores, mais de 80 mil pessoas passaram a viver em áreas urbanizadas nas bacias dos igarapés do Quarenta, Educandos e São Raimundo. A diferença aparece no cotidiano: menos alagação, mais mobilidade, menos risco sanitário.
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Por que São Paulo quis ouvir Manaus
O convite partiu do BID, que promoveu a segunda etapa da série on-line “Desenvolvimento Urbano e Programas de Redução da Pobreza”. O objetivo foi claro: aproximar gestores de experiências concretas que funcionaram fora do eixo Sul-Sudeste.
Segundo o consultor do BID, Cid Blanco Junior, a troca de experiências fortalece políticas públicas em escala regional.
“Convidamos o Governo do Amazonas para apresentar um programa que enfrenta, ao mesmo tempo, problemas sociais, urbanísticos e ambientais”, afirmou.
Ele destacou ainda que o Prosamin+ integra moradia, mobilidade urbana, recuperação ambiental e requalificação de espaços públicos.
O que mudou na versão atual do Prosamin+
Lançado em 2021, o Prosamin+ ampliou o escopo das versões anteriores. Além das moradias, incorporou reflorestamento de áreas degradadas, novas tipologias habitacionais e maior integração com o desenho urbano da cidade.
De acordo com Marcellus Campêlo, secretário responsável pela execução do programa, o foco passou a ser mais estrutural.
“O Prosamin+ se consolidou como referência porque não trata só da casa, mas do território”, afirmou durante o encontro.
Números que importam
O Prosamin+ prevê investimento total de US$ 114 milhões, com financiamento do BID e contrapartida do Governo do Amazonas. O cronograma segue até 2027.
Atualmente, o programa prevê:
- 808 unidades habitacionais no total
- 104 unidades já entregues nos parques residenciais General Rodrigo Otávio e Maués
- 336 unidades em construção, nas comunidades da Sharp e do bairro Betânia
- 1.735 famílias já reassentadas, entre moradias, indenizações e Bônus Moradia
- 2.580 famílias contempladas ao final das obras
Além disso, as áreas recebem drenagem profunda, esgotamento sanitário, abastecimento de água e pavimentação, reduzindo riscos de alagação e doenças.
Por que isso importa para o Amazonas
Enquanto grandes centros ainda debatem soluções, Amazonas entrega experiência concreta. O Prosamin+ mostra que enfrentar a desigualdade urbana na Amazônia não é apenas pauta ambiental, mas investimento direto em saúde pública, dignidade e planejamento de longo prazo.
( * ) Com informações da assessoria
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