Manaus (AM) – Satélite da Nasa registrou uma extensa faixa de fumaça sobre o Amazonas, revelando do espaço a dimensão dos incêndios florestais que atingem a região. O registro foi feito na sexta-feira (9), por meio da plataforma Worldview. Neste sábado (22), a situação persiste, e Manaus continua encoberta por uma densa camada de fumaça, que compromete a qualidade do ar e mantém o alerta para os riscos à saúde da população.
Na imagem, a fumaça aparece em tons acinzentados, enquanto as nuvens são identificadas predominantemente em branco. A localização de Manaus é indicada por um ponto vermelho. O registro permite visualizar a extensão da poluição atmosférica sobre a capital e áreas próximas, em meio à sequência de queimadas no estado.
Qualidade do ar chegou a nível perigoso
Na sexta-feira (9), Manaus registrou, pelo segundo dia consecutivo, a pior qualidade do ar do Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir. Por volta das 5h, o índice de qualidade do ar chegou a 366, classificação considerada perigosa. Na ocasião, a concentração de partículas finas PM2.5 atingiu 258,2 microgramas por metro cúbico (µg/m³).
O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também apontou condições péssimas para a qualidade do ar naquela manhã. Por volta das 6h, bairros como Morro da Liberdade e Educandos registraram concentrações de até 320,2 µg/m³ de partículas poluentes.
Os dados citados são referentes à sexta-feira (9). A persistência da fumaça neste sábado reforça a preocupação com a exposição da população à poluição, embora os índices atuais precisem ser consultados para determinar a classificação da qualidade do ar neste dia.
Defesa Civil alerta para riscos à saúde
Diante do agravamento da poluição, a Defesa Civil emitiu um alerta severo para os celulares da população e recomendou evitar a exposição prolongada à fumaça. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos das partículas presentes no ar.
A orientação é reduzir atividades físicas ao ar livre, manter portas e janelas fechadas quando a concentração de fumaça estiver elevada e seguir as recomendações dos órgãos de saúde e proteção civil. O uso de máscaras adequadas também pode ajudar a reduzir a inalação de partículas, conforme as orientações sanitárias.
Itacoatiara também enfrenta fumaça intensa
Os efeitos das queimadas não se restringem a Manaus. Em Itacoatiara, na Região Metropolitana, a fumaça também encobriu a cidade. Durante a madrugada de sexta-feira (9), o aplicativo Selva registrou aproximadamente 500 µg/m³ de partículas poluentes no município.
Na região do Lago do Canaçari, um incêndio chegou ao 21º dia na quinta-feira (8), com cerca de 1,3 mil hectares afetados. Moradores e equipes de combate ao fogo atuavam na abertura de aceiros — faixas de terreno sem vegetação usadas para impedir o avanço das chamas — e na contenção do incêndio, com apoio de uma aeronave.
Outro foco de incêndio, nas proximidades do bairro Jacarezinho, havia chegado ao terceiro dia, atingindo uma área de 256,71 hectares. Bombeiros trabalhavam para evitar que as chamas avançassem para outras áreas.
Dados apontam novos focos de fogo
Levantamento do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) identificou 46 novos eventos de fogo na região entre os dias 4 e 7 de outubro.
A continuidade da fumaça sobre Manaus neste sábado evidencia os impactos das queimadas sobre a rotina da população. Além da redução da visibilidade, a poluição atmosférica pode provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse e agravamento de problemas respiratórios.
Enquanto os incêndios continuam exigindo ações de combate, o monitoramento da qualidade do ar e a divulgação de orientações preventivas são fundamentais para reduzir os riscos à saúde dos moradores.
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