Joias Ecológicas lança modelo amazônico de conservação

Empresa criada por ex-líderes do BNDES e Future Climate aposta em carbono comunitário e fortalecimento de povos tradicionais Manaus (AM) – Uma nova operadora socioambiental nasce no país com ambição de redesenhar a relação entre desenvolvimento, floresta e comunidades tradicionais. A Joias Ecológicas da Amazônia, fundada por Pedro Plastino (ex-Future Climate) e Rodrigo Brandão (ex-BNDES), […]

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Empresa criada por ex-líderes do BNDES e Future Climate aposta em carbono comunitário e fortalecimento de povos tradicionais


Manaus (AM) – Uma nova operadora socioambiental nasce no país com ambição de redesenhar a relação entre desenvolvimento, floresta e comunidades tradicionais. A Joias Ecológicas da Amazônia, fundada por Pedro Plastino (ex-Future Climate) e Rodrigo Brandão (ex-BNDES), assume sua estreia com 740 mil hectares sob gestão, unindo florestas amazônicas e manguezais do litoral norte.

A proposta vai além do crédito de carbono: mira um modelo econômico que devolve autonomia e prosperidade às populações que mantêm a floresta viva.

Diretrizes e foco na economia comunitária

Os fundadores defendem que a conservação não pode existir sem dignidade.

“O crédito de carbono é o início da conversa, não o fim”, afirma Pedro Plastino. A empresa aposta num sistema sustentado pela Lei 15.042/2024, garantindo que 70% dos resultados líquidos retornem às comunidades locais, fortalecendo governança, educação, energia limpa, água, saneamento, conectividade e cadeias produtivas.

O plano é chegar a 2 milhões de hectares de floresta sob conservação até 2026, além de ampliar a proteção de 200 mil hectares de manguezais, impactando diretamente mais de 30 mil pessoas em territórios extrativistas e costeiros.

Selo Verde e competitividade socioambiental

Os manguezais, classificados pela equipe técnica como um dos ecossistemas mais eficientes do mundo no estoque de carbono, sustentam pesca artesanal, biodiversidade marinha, segurança costeira e modos de vida tradicionais. Mas a economia real ainda não reconhece seu valor.

O exemplo do pirarucu, usado pela empresa, expõe a distorção: o quilo que chega a R$ 100 nas cidades vale apenas R$ 8 nas comunidades.

“Se aumentamos esse preço, estamos falando de transformação social imediata”, reforça Plastino.

Expertise técnica e salvaguardas sociais

Para garantir integridade, a Joias Ecológicas opera com consultoria de Fábio Carvalho, doutor em Ciências Ambientais e ex-head da Amazônia no ICMBio. Ele lidera um núcleo formado por ex-gestores do instituto, especialistas em gestão comunitária, turismo de base comunitária e bioeconomia.

“Os verdadeiros guardiões da floresta e do manguezal são os povos tradicionais”, afirma Carvalho. “Nosso trabalho é fortalecer suas organizações e permitir modelos sustentáveis — do açaí à castanha, do pirarucu ao caranguejo — para que conservar seja um bom negócio.”

Contexto amazônico e expansão territorial

A empresa pretende abrir bases operacionais em polos distribuídos pela Amazônia, aproximando equipes técnicas da realidade territorial e ampliando a capacidade de manejar projetos com transparência, governança e padrões equivalentes aos do setor de energia e infraestrutura. A ambição: consolidar o ativo ecológico brasileiro, que combina carbono, biodiversidade e prosperidade social.

“É a floresta e o mar gerando valor pela conservação”, resume Rodrigo Brandão, ao definir a estratégia que une bioeconomia, inclusão e desenvolvimento de longo prazo.

Próximos passos

Com projetos florestais e de carbono azul em expansão, a Joias Ecológicas se posiciona como uma operadora socioambiental de longo prazo, convertendo conservação em prosperidade e inserindo comunidades tradicionais na economia do futuro — com a Amazônia no centro das decisões.

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