Manaus (AM) – O Teatro Amazonas recebe, na quarta-feira (28), às 19h, o lançamento da série documental Amazônia, em Manaus. Com entrada gratuita, a produção apresentada pelo fotógrafo documental Luciano Candisani mostra como o cultivo do cacau nativo, a coleta da castanha-do-brasil e o manejo do pirarucu podem gerar renda para comunidades sem destruir a floresta.
A série tem três episódios de 26 minutos e aborda a relação entre conservação ambiental, conhecimento científico e saberes tradicionais. A produção também mostra os impactos da crise climática sobre atividades econômicas que dependem da floresta conservada.
O público poderá assistir a um dos episódios durante o lançamento. A entrada é gratuita, sem necessidade de retirar ingresso antecipadamente, mas está sujeita à lotação do teatro.
A Produtora Brasileira (https://produtorabrasileira.com.br) assina a produção, patrocinada pela Yamaha por meio da Lei do Audiovisual. O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) participa da realização do evento.
Série mostra como a floresta sustenta comunidades
Os três episódios apresentam experiências de produção e manejo de recursos naturais em diferentes áreas da Amazônia.
Cacau nativo: na comunidade de Novos Prazeres, famílias ribeirinhas passaram a organizar o manejo, a seleção, a fermentação e a comercialização do cacau nativo com apoio de assistência técnica. A série mostra como a qualificação e o acesso ao mercado podem agregar valor ao produto sem exigir a derrubada da mata para outros usos.
Castanha-do-brasil: a produção acompanha dificuldades enfrentadas por extrativistas diante da redução da oferta de castanha e da operação abaixo da capacidade de unidades de beneficiamento. O episódio relaciona a quebra de safra a períodos anormais de seca e aos impactos sobre a renda das famílias coletoras.
Pirarucu: em Mamirauá, no Médio Solimões, o documentário apresenta o manejo do peixe, que combina conhecimento tradicional e pesquisa científica. Os pescadores contam os pirarucus quando eles sobem à superfície para respirar. O método ajuda a definir as cotas de captura de cada temporada.
Pesquisadores do Instituto Mamirauá acompanham e estudam esse sistema de manejo.
Seca ameaça produção de castanha e renda de extrativistas
A crise climática ocupa espaço central no episódio sobre a castanha-do-brasil. A redução da produção afeta diretamente as famílias que dependem da coleta e do beneficiamento do fruto.
Durante a série, Candisani relata o que observou em campo.
“Nessa viagem eu consegui sentir, de fato, observar e perceber que os efeitos estão aí”, afirma o fotógrafo.
O tema tem relação direta com a realidade do Amazonas, que enfrentou secas históricas em 2023 e 2024. Nesse período, o Rio Negro registrou níveis excepcionalmente baixos no Porto de Manaus, enquanto comunidades ficaram isoladas pela dificuldade de navegação nos rios.
O documentário também conta com a participação do cientista Carlos Nobre, que alerta para o risco de a Amazônia atingir um ponto de não retorno climático e ambiental.
“Se o desmatamento ultrapassar entre 20% e 25% e o aquecimento global ultrapassar 2 a 2,5 graus, nós passaríamos do ponto de não retorno”, afirma Nobre.
Documentário destaca quem vive na Amazônia
Além da biodiversidade, a série aborda as condições de vida da população amazônica. A coordenadora residente da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil, Silvia Rucks, chama atenção para a necessidade de incluir as pessoas nas discussões sobre desenvolvimento sustentável.
A produção defende que a conservação da floresta também depende de condições para que as comunidades mantenham sua renda, garantam a alimentação e participem das decisões sobre o território.
A proposta é mostrar que a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico podem caminhar juntos quando as atividades produtivas respeitam os limites da floresta e valorizam os conhecimentos locais.
Grupo Gaponga encerra programação
O lançamento no Teatro Amazonas começa às 19h, com uma abertura institucional conduzida por representantes da Produtora Brasileira, da Yamaha e do CIEAM.
Das 19h15 às 19h45, o público acompanhará a exibição de um dos episódios da série. Em seguida, das 19h45 às 20h25, o Grupo Gaponga encerra a noite com uma apresentação musical que reúne composições autorais, poesia e bioinstrumentos ligados à identidade amazônica.
Após o lançamento em Manaus, a produção deverá circular pelo Brasil. Segundo o material de divulgação, a série será doada para exibição nacional, com o objetivo de alcançar o grande público.
Produção recebeu incentivo da Lei do Audiovisual
A série Amazônia contou com patrocínio da Yamaha por meio da Lei nº 8.685/1993, conhecida como Lei do Audiovisual.
O artigo 1º-A da legislação prevê mecanismos de incentivo fiscal para empresas que patrocinam obras audiovisuais independentes, dentro das condições e dos limites estabelecidos em lei.
O texto integral da legislação está disponível no site do Planalto:
Serviço
Evento: lançamento da série documental Amazônia
Data: quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Horário: 19h
Local: Teatro Amazonas, Largo de São Sebastião, Centro, Manaus
Entrada: gratuita, sem retirada antecipada de ingresso, sujeita à lotação
Classificação indicativa: livre
( * ) Com informações da assessoria.
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