Lei reconhece fruto como patrimônio brasileiro; estado consolida força produtiva com mais de 17,5 mil agricultores e extrativistas
Manaus (AM). O açaí, fruto que há gerações sustenta comunidades ribeirinhas da Amazônia, ganhou reconhecimento oficial em todo o país. Com a Lei nº 15.330/2026, o alimento passou a ser considerado fruta nacional, reforçando a soberania brasileira sobre um dos produtos agrícolas mais emblemáticos da região.
No Amazonas, o reconhecimento chega em um momento de forte expansão da produção. Em 2024, o estado alcançou 1,3 milhão de toneladas de açaí, consolidando-se como o segundo maior produtor do Brasil, segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam).
Produção cresce e beneficia milhares de famílias
Atualmente, mais de 17,5 mil agricultores familiares e extrativistas atuam na cadeia produtiva do açaí no Amazonas com apoio técnico do Idam, responsável pelas ações públicas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater).
O crescimento reflete uma mudança no modelo produtivo. O estado vem avançando da coleta exclusivamente extrativista para um sistema mais organizado, que combina manejo sustentável e cultivo planejado.

Transição tecnológica no campo
Segundo o técnico agrícola e coordenador do Projeto Prioritário (PP) da Cadeia Produtiva do Açaí, Nelildo Secundino, o Amazonas vive um processo acelerado de modernização da cultura.
“Entre 2018 e 2024, a produção anual saltou de 550,8 mil para 1,3 milhão de toneladas, um crescimento de 150% impulsionado pelo Projeto Prioritário. No mesmo período, a área plantada aumentou 173%, ultrapassando 11 mil hectares”, explicou.
Além do ganho econômico, o técnico destaca que o processo também protege o saber tradicional das comunidades ribeirinhas, que historicamente manejam o açaí de forma integrada à floresta.
Codajás, referência na produção
No Amazonas, Codajás é reconhecida como a capital do açaí. O município possui Selo de Indicação Geográfica, que também abrange Anori e Coari, certificando a origem e a qualidade do produto.
Em 2024, Codajás produziu 15,12 toneladas de açaí cultivado e 13,55 toneladas de açaí nativo, beneficiando cerca de 2.450 produtores rurais.
Extensão rural impulsiona a cadeia
Para o Idam, a presença técnica contínua nos municípios é um dos fatores que explicam o avanço da produção.
“A extensão rural é o que viabiliza a modernização da cadeia. Com a inclusão recente de Tefé e Anamã, a tendência é que esses municípios apresentem forte crescimento de produtividade nos próximos dois anos, com novos viveiros e mudas selecionadas”, afirmou Secundino.
Projeto Prioritário do Açaí
O Projeto Prioritário da Cadeia Produtiva do Açaí, coordenado pelo Idam, atua hoje em 14 municípios amazonenses: Codajás, Anori, Anamã, Benjamin Constant, Borba, Coari, Fonte Boa, Humaitá, Lábrea, Manicoré, Nova Olinda do Norte, Rio Preto da Eva, Tapauá e Tefé.
A iniciativa busca transformar o açaí em um negócio sustentável, com aumento de produtividade e geração de renda, sem abrir mão da preservação ambiental.
Açaí nativo e açaí cultivado
O projeto trabalha em duas frentes. No açaí nativo (Euterpe precatoria), típico do Amazonas e com maior teor de antocianinas, o foco está no manejo sustentável.
“O objetivo é ensinar o ribeirinho a limpar os açaizais nativos, aumentando a luminosidade e a produtividade sem derrubar a floresta”, explicou o técnico.
Já no açaí cultivado (Euterpe oleracea e variedades), o Idam atua na distribuição de sementes e mudas selecionadas.
“O instituto fornece mudas das variedades BRS Pará e BRS Pai d’egua, que são precoces. Com irrigação, permitem colheita na entressafra do açaí nativo, garantindo renda ao longo do ano”, concluiu Secundino.
O reconhecimento do açaí como fruta nacional reforça o papel estratégico do Amazonas na bioeconomia, na segurança alimentar e na valorização de uma produção que une floresta em pé, tradição e desenvolvimento regional.
( * ) Portal Meu Amazonas com informações do Idam
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