Grafismo da Amazônia estampa bolsas produzidas com traçados indígenas

Alice agora se prepara para voltar a participar de grandes feiras, como a Manaus Expo Beleza, enquanto desenha a nova coleção e organiza as finanças.

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Empreender por meio do artesanato é sinônimo de valorização cultural, pessoal e profissional. E é isso que a artesã Alice Lagoa, de 47 anos, faz questão de contar por onde passa.

Há oitos anos, o empreendedorismo invadiu a vida da amazonense para ensiná-la a fazer arte e ganhar o mundo valorizando os costumes de seus ancestrais.

Ela produz bolsas e necessaires customizadas com grafismos da Amazônia e traçados indígenas:

“É uma nova forma de vida, com ela posso realizar sonhos”.

Até 2015, Alice atuava como revendedora de cosméticos e, além de não se sentir realizada, sofria com a falta de vendas e atrasos de pagamento.

Naquele ano, mesmo sem muitos recursos, ela fez um curso de costura criativa e começou a presentear familiares e amigos, que a motivaram a investir nesse talento:

“Me senti capaz, admirada e animada. Isso me incentivou a comprar uma máquina, produzir bolsas e necessaires com condições de pagar as contas e ter meu próprio capital”, diz.

Qualidade sempre foi ponto forte da Alice Lagoa Bolsas, que preza pelo acabamento e material que não rasgue facilmente, que não manche ou encolha após a lavagem. Os produtos são sintéticos e com tecidos 100% algodão. Aos poucos, a clientela foi aumentando e as encomendas também.

“Cheguei a fazer 200 bolsas para a igreja e 50 de praia para um evento de gerentes”, comenta. Foi preciso se dedicar oito horas por dia, de segunda a segunda, por 15 dias, para produzir esses pedidos.

“Aprendi a calcular os materiais, negociar a forma de pagamento e organizar a linha de produção”, lembra, orgulhosa. Outro sucesso foi o case para notebook feito sob medida para uma médica da região.
“Como a cliente não havia definido o modelo, eu observei as necessidades dela e adicionei compartimentos internos e externos.
A doutora ficou tão satisfeita que encomendou três unidades para presentear outras médicas”, conta Alice.

Por dentro das tramas

Porém, a trajetória de Alice nem sempre esteve em alta. O negócio parou por três longos anos, quando ela precisou ir de Manaus para São Paulo tratar consequências graves de uma endometriose.

Nesse tempo, ela recebeu apoio do marido, da mãe e da irmã. Em 2020, quando finalmente teve sua saúde restabelecida, Alice buscou, no Sebrae Amazonas, orientações para inovar na retomada do seu negócio e decidiu se capacitar em curso de trançados indígenas para agregar valor às bolsas.

“Admiro e respeito muito o trabalho dos indígenas, é um ensinamento que passa de geração para geração. Aprender os trançados foi um presentão. É um dos modelos que mais vende”, explica a artesã, que aprimorou o acabamento das bolsas quando conheceu, durante uma exposição, a índia Tikuna Micilene Pociano, que a ensinou a técnica de trançado em macramê, com fio de tucum. Desde então, as duas mantêm uma forte amizade e Alice passou a produzir as alças das bolsas com essa técnica.

O interesse pelos trançados indígenas partiu da própria história familiar de Alice, que é descendente de uma tribo que já foi dizimada.

“Os trançados a mão, feitos em viés 100% algodão, lembram os desenhos feitos em cestaria e tapetes. Lembram a Amazônia. Quero levar os grafismos dos povos indígenas para o Brasil inteiro”, revela Alice.

A amazonense, que no começo do negócio ganhava R$ 1.500 por mês, hoje chega a faturar R$ 6 mil como microempreendedora individual (MEI).

Ensinar a pescar 

A empreendedora sonha em ter capital suficiente para sustentar um espaço para produção e outro para ensinar a comunidade a fazer bolsas.

“Eu acredito no poder da costura. Ensinar uma fonte de renda é ensinar a pescar o alimento diário”, reforça Alice ao relembrar sua história de superação. “Eu não sabia nada e morria de medo de usar uma máquina de costura, mas estudei, aprendi e consegui ter minha renda.”

Alice agora se prepara para voltar a participar de grandes feiras, como a Manaus Expo Beleza, enquanto desenha a nova coleção e organiza as finanças.

Em paralelo, ela faz parte do grupo de artesãs do Sebrae e mergulha em eventos e programas de negócios que ensinam, entre outros temas, as tendências em relação ao marketing digital, como precificar e fazer o envio de produtos e embalagens.

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