Por: Thaís Szegô, da Agência Einstein
Os enjoos que afetam milhões de mulheres durante a gravidez podem ter uma função biológica importante para o desenvolvimento do bebê. É o que sugere um estudo realizado por pesquisadores dos Estados Unidos e da Austrália, publicado na revista científica Evolution, Medicine, and Public Health.
A pesquisa encontrou uma associação entre náuseas, vômitos, aversões alimentares e a ativação do sistema imunológico materno durante os primeiros meses da gestação. Segundo os autores, essa resposta do organismo pode funcionar como um mecanismo de proteção, reduzindo a exposição do feto a substâncias potencialmente prejudiciais.
O estudo acompanhou 58 gestantes saudáveis no sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Ao longo da gravidez, as participantes responderam questionários sobre enjoos, sensibilidade a odores e rejeição a determinados alimentos.
Além disso, os pesquisadores analisaram amostras de sangue coletadas entre a quinta e a 17ª semanas de gestação para medir os níveis de citocinas pró-inflamatórias, moléculas que participam da resposta imunológica do organismo.
O que os cientistas descobriram
Os resultados mostraram que mulheres com níveis mais elevados dessas moléculas apresentavam maior ocorrência de náuseas e vômitos.
Segundo os pesquisadores, a descoberta reforça a hipótese de que os enjoos típicos da gravidez podem representar uma adaptação biológica desenvolvida ao longo da evolução humana para proteger o feto durante uma fase considerada especialmente sensível do desenvolvimento.
Apesar dos resultados, os especialistas alertam que ainda não é possível afirmar que exista uma relação direta de causa e efeito.
O ginecologista e obstetra Nélio Veiga Junior, pesquisador de pós-doutorado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), destaca que o estudo foi observacional e envolveu um número reduzido de participantes.
“Os resultados geram hipóteses biológicas relevantes, mas ainda não permitem afirmar causalidade nem generalizar as conclusões para todas as gestantes”, explica.
Estudo tem limitações
Especialistas ouvidos pela Agência Einstein ressaltam que o trabalho apresenta limitações importantes.
Entre elas estão o pequeno número de voluntárias, o fato de todas as participantes serem hispânicas e a predominância de mulheres com sobrepeso antes da gravidez.
Além disso, fatores emocionais e psicológicos também podem influenciar a intensidade dos enjoos durante a gestação.
Como aliviar os enjoos na gravidez
Embora os sintomas sejam comuns, os médicos alertam que náuseas e vômitos intensos merecem acompanhamento profissional, principalmente quando provocam perda de peso, desidratação ou dificuldades para se alimentar.
Algumas medidas podem ajudar a reduzir o desconforto:
- Fazer refeições menores ao longo do dia;
- Evitar longos períodos de jejum;
- Preferir alimentos secos ao acordar;
- Manter hidratação frequente em pequenas quantidades;
- Reduzir alimentos gordurosos ou muito condimentados;
- Evitar odores que desencadeiem mal-estar;
- Adaptar a alimentação aos alimentos mais tolerados.
Em alguns casos, o médico pode indicar medicamentos para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida da gestante.
Saiba mais
Estima-se que entre 70% e 80% das grávidas apresentem algum grau de náusea durante o primeiro trimestre da gestação. Na maioria dos casos, os sintomas diminuem após as primeiras semanas, mas algumas mulheres podem necessitar de acompanhamento médico devido à intensidade do quadro.
Fonte: Agência Einstein
( * ) Conteúdo da Agência Einstein com edição do Portal Meu Amazonas para adequação editorial e otimização para mecanismos de busca.
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