Prêmio Sebrae de Jornalismo no Amazonas: veja quem venceu

Produções sobre informalidade, cafeicultura, ancestralidade indígena e potencial de marcas étnicas conquistaram o primeiro lugar na etapa estadual da 13ª edição

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Manaus (AM) – O Prêmio Sebrae de Jornalismo no Amazonas premiou, na sexta-feira, 25 de setembro, reportagens sobre informalidade, cafeicultura em áreas degradadas, moda indígena e cultura periférica de Manaus. Os primeiros colocados da etapa estadual da 13ª edição agora representam o Estado na fase regional.

A cerimônia ocorreu no auditório do Sebrae Amazonas, no Centro de Manaus. Segundo a organização, mais de 80 trabalhos foram inscritos no Estado, e 17 chegaram à etapa final.

As jornalistas Andrea Vieira, Arthemisa Gadelha e Luana Borba formaram a comissão julgadora. Elas avaliaram cinco categorias: Texto, Áudio, Vídeo, Fotojornalismo e Jornalismo Universitário.

Rotina de ambulantes em Manaus vence em Texto

Elen Viana, do portal Rios de Notícias, venceu a categoria Texto com a reportagem “Empreendedorismo de sobrevivência: Informalidade no AM atinge quase um milhão e expõe rotina de até 14 horas nas ruas”.

O trabalho acompanha ambulantes que enfrentam jornadas longas, chuva, fiscalização, vendas instáveis e perda de mercadorias. A reportagem cruza essas histórias com dados sobre mercado de trabalho e formalização de pequenos negócios.

É a segunda vitória estadual seguida da jornalista na categoria. Ela também venceu a etapa em 2025.

Café e moda Witoto levam Vídeo e Fotojornalismo

Em Vídeo, a vencedora foi Ruthiene Bindá, do Grupo Rede Amazônica, com “Empreendendo com café no Amazonas: cultivo transforma florestas degradadas e vidas de agricultores”. A reportagem mostra agricultores que adotaram o café como fonte de renda em áreas antes degradadas. Foi a primeira inscrição da jornalista no prêmio.

No Fotojornalismo, Raphael Alves, da agência Amazônia Real, venceu com o ensaio “Fios de memória: um futuro que honra a ancestralidade”.

As imagens retratam mulheres do povo Witoto que criam moda e design no Ateliê Derequine, ligado ao Instituto Witoto, no Parque das Tribos, em Manaus.

O fotógrafo contou que o trabalho dependeu de autorização prévia das artesãs.

“Quando você está em um território originário, você é um estrangeiro. Então, pedi a permissão delas, que foi concedida, e tudo foi construído na base da confiança”, afirmou.

Gírias da periferia viram estampa em reportagem de rádio

Maurício Max, da BandNews Difusora, venceu em Áudio com a reportagem sobre a Cepecompany. A marca, criada por um casal, leva expressões das periferias de Manaus para camisetas e discute o desperdício na indústria têxtil.

Segundo Max, a pauta surgiu ao notar como a marca “transformou expressões que muitas vezes são usadas de forma pejorativa nas periferias, como ‘Bodozal’ e ‘Forró de Galeroso’, em elementos de empoderamento e valorização da cultura”.

De acordo com o Sebrae, esta é a terceira vitória estadual consecutiva do jornalista. Em 2024, ele também ficou em primeiro lugar na etapa nacional, na categoria Áudio.

Documentário sobre estilista Tikuna vence entre universitários

O documentário “AIKUNATCHICA YRA”, da Agência Comunica/Fametro, venceu em Jornalismo Universitário. A produção acompanha a estilista Yra Tikuna, sua marca e seu ateliê, com foco no empreendedorismo feminino indígena.

A equipe reúne Claudia Miranda, Beatriz Nascimento Miranda, Camila Vieira de Sant’anna, Jonas Bezerra Vasconcelos e Larissa Grazielly Serrão Gama. O trabalho teve orientação da professora Leila Ronize.

O que os premiados mostram sobre empreender no Amazonas

Três dos cinco vencedores tratam de moda ligada a identidade indígena ou periférica. Os outros dois abordam a sobrevivência na informalidade e a renda aliada à recuperação da floresta.

Nenhuma das histórias premiadas parte de grandes empresas. O retrato é de negócios nascidos da necessidade, da cultura local ou do território.

A diretora-superintendente do Sebrae-AM, Ananda Carvalho Normando Pessôa, citou a logística como desafio permanente para quem empreende no Estado. Segundo ela, o custo de levar produtos e serviços adiante exige mais resiliência do empreendedor amazonense.

Após a premiação, um painel mediado pelo jornalista Breno Cabral, da Rede Amazônica, discutiu carreira e novas plataformas. Alexandre Hisayasu, Nilza Vieira e Leila Ronize defenderam a inteligência artificial como apoio, sem substituir a apuração presencial com comunidades.

Prêmio Sebrae de Jornalismo no Amazonas: próxima fase

Os primeiros colocados do Prêmio Sebrae de Jornalismo no Amazonas disputam agora a etapa regional. Cinco júris avaliam os trabalhos, um para cada região do país.

Os vencedores regionais avançam para a etapa nacional, em Brasília (DF). O Sebrae ainda não divulgou as datas das próximas fases.

Confira o pódio da etapa estadual

Jornalismo em Texto
1º lugar: Elen Viana (Rios de Notícias) – “Empreendedorismo de sobrevivência: Informalidade no AM atinge quase um milhão e expõe rotina de até 14 horas nas ruas”
2º lugar: Kataryne Dias (Rios de Notícias) – “Escultor transforma madeira descartada em arte e renda no AM; setor movimenta mais de R$ 6 milhões e passa por profissionalização”
3º lugar: Márcio Azevedo (TechAmazônia) – “Como um município isolado do Amazonas virou polo de inovação?”

Jornalismo em Vídeo
1º lugar: Ruthiene Bindá (Grupo Rede Amazônica) – “Empreendendo com café no Amazonas: cultivo transforma florestas degradadas e vidas de agricultores”
2º lugar: Carolina Queiroz (TV A Crítica) – “Da floresta ao mercado: a jornada empreendedora do pirarucu amazônico”
3º lugar: Jessica Oliveira (TV A Crítica) – “Da cozinha ao cuidado com a Amazônia: a iniciativa que transforma resíduos em sustentabilidade”

Fotojornalismo
1º lugar: Raphael Alves (Amazônia Real) – “Fios de memória: um futuro que honra a ancestralidade”
2º lugar: Tunico Santos (Rede Rios) – “Artesanato Joe Alcantara”
3º lugar: Luzimar Bessa (DeHoraEmHora) – “Rosto marcado pelo tempo e o olhar firme faz do projeto fonte de renda e transformação para 50 famílias de artesãos no Amazonas”

Jornalismo em Áudio
1º lugar: Maurício Max (BandNews Difusora) – “Marca de moda inspirada na cultura periférica amazônida valoriza sustentabilidade para reduzir desperdício em Manaus”

Jornalismo Universitário
1º lugar: Claudia Miranda e equipe (Agência Comunica/Fametro) – “AIKUNATCHICA YRA”
2º lugar: João Pedro Amaral Silva Santana (Maloca Digital/Ufam) – “Em meio à velocidade da vida moderna, a economia solidária”


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( * ) Com informações da assessoria do Sebrae Amazonas.


Gláucia Chair
Gláucia Chairhttps://portalmeuamazonas.com.br/
Gláucia Chair é jornalista, pesquisadora e professora, com mais de 25 anos de atuação no mercado de comunicação e educação. CEO do Portal Meu Amazonas, também atua como consultora em conteúdo digital e estratégias de mídia. É Master em Jornalismo pelo Instituto Superior de Educação (ISE) e possui especializações em Literatura Moderna e Pós-Moderna, Docência do Ensino Superior e Comunicação, Design e Multimídia. Membro da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB), Gláucia se destaca pela defesa da valorização da produção jornalística e intelectual na Amazônia. Ao longo de sua trajetória, colaborou com veículos de destaque como Portal Amazônia, Jornal e Portal Em Tempo, Portal Radar 10, Revista ECO, Portal Vanguarda do Norte, i9Brasil e Portal Em Pauta.

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