Por Carlos Santiago*
O grupo político do governador Wilson Lima (União Brasil), que conduz a pré-candidatura de Roberto Cidade (União Brasil) ao Governo do Amazonas, já não apresenta a mesma configuração que garantiu sua força eleitoral em 2022. Embora continue no comando do Executivo estadual e mantenha influência sobre a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o bloco chega ao processo eleitoral de 2026 em um cenário mais fragmentado.
Na eleição que garantiu sua reeleição, Wilson Lima reuniu um amplo arco de alianças, com o apoio do então prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), do Partido Liberal (PL), do ex-presidente Jair Bolsonaro, da presidência da Câmara Municipal de Manaus, além da maioria dos prefeitos e deputados estaduais. Hoje, esse quadro político mudou significativamente.
Novas alianças
O lançamento das pré-candidaturas de Maria do Carmo Seffair (PL) e de David Almeida, somado à aproximação de prefeitos e parlamentares ao projeto político do senador Omar Aziz (PSD), indica um cenário eleitoral mais competitivo. Embora o número de candidaturas seja menor do que em eleições anteriores, os principais grupos políticos disputam o eleitorado de forma independente, sem a ampla coalizão observada em 2022.
Na minha avaliação, quem mais perdeu espaço com essa reorganização foi justamente o grupo liderado por Wilson Lima e Roberto Cidade. Isso, entretanto, não significa que o governo tenha deixado de buscar novas alianças ou de tentar recompor parte da base que possuía anteriormente.
Nesse contexto, a pré-candidatura do PL ao Governo do Amazonas tem sido alvo de especulações sobre uma eventual desistência, além de manifestações de integrantes do partido que mantêm proximidade política com o atual governo estadual.
A situação lembra, em certa medida, o processo eleitoral de 2024, quando o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) precisou recorrer ao apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e construir uma aliança com o Partido Novo para consolidar sua candidatura à Prefeitura de Manaus. Naquele pleito, Alberto Neto avançou ao segundo turno, enquanto Roberto Cidade, então candidato apoiado por Wilson Lima, ficou fora da disputa decisiva.
Outro movimento relevante foi a aproximação do Partido Socialista Brasileiro (PSB), comandado no Amazonas pela família Corrêa, ao grupo político do governador. Depois de apoiar José Melo no segundo turno da eleição de 2014, a legenda passou a integrar a base governista. Na minha leitura, a ausência de uma chapa competitiva para as eleições proporcionais contribuiu para essa decisão.
Omar Aziz influente no interior do Estado
Ao mesmo tempo, Omar Aziz tem ampliado sua influência em municípios do interior, reduzindo o espaço político do grupo governista em algumas regiões do estado. Em Manaus, Maria do Carmo busca consolidar o eleitorado identificado com o bolsonarismo, enquanto David Almeida conta com a estrutura administrativa da Prefeitura, o apoio da maioria dos vereadores da Câmara Municipal e de segmentos do eleitorado evangélico.
Também observo uma mudança no comportamento de parte dos veículos de comunicação e produtores de conteúdo político, que passaram a dividir espaço entre diferentes grupos e pré-candidaturas — cenário menos comum nas disputas anteriores.
É inegável que o controle da máquina administrativa representa uma vantagem eleitoral relevante. Wilson Lima venceu a eleição de 2022 mesmo enfrentando forte desgaste político decorrente da crise do oxigênio durante a pandemia de Covid-19, investigações conduzidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e críticas relacionadas aos indicadores de saúde e educação.
Ainda assim, considero que o grupo político que sustentou sua reeleição não possui, neste momento, a mesma capacidade de articulação demonstrada há quatro anos. A derrota do candidato apoiado pelo governador na disputa pela Prefeitura de Manaus, em 2024, assim como os resultados registrados em importantes municípios do interior, reforça essa percepção.

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