Entre fake news, intolerância e disputas de poder, a defesa da verdade e da liberdade de expressão continua central para a sobrevivência das democracias modernas
Por Carlos Santiago
O filósofo ateniense Sócrates terminou perseguido, julgado e condenado à morte por suas ideias. Sua forma de buscar a verdade a partir da conduta humana era vista como uma ameaça à ordem política e social da época. Sua morte simbolizou também a supressão extrema da liberdade de expressão.
De Sócrates aos dias atuais, o direito à livre manifestação do pensamento avançou e retrocedeu conforme os contextos históricos, sociais e políticos. Hoje, esse direito, reconhecido como um dos pilares fundamentais das democracias modernas, possui proteção constitucional em diversos países, incluindo o Brasil.
Mas a liberdade de expressão não é absoluta. Ela precisa conviver com outros direitos e garantias. Em uma democracia, os excessos precisam encontrar limites na proteção da dignidade humana, da honra, da privacidade e da convivência coletiva.
Nesse cenário, a busca pela verdade se torna um valor central da sociedade. Em tempos marcados pelo individualismo, pela intolerância, pela disseminação de notícias falsas e pela cultura do ódio, defender a verdade passou a ser um desafio permanente das instituições democráticas.
As fake news e os discursos extremistas frequentemente utilizam as próprias liberdades democráticas, além de instituições políticas e espaços públicos, para ampliar conflitos de poder, radicalizar divisões ideológicas e enfraquecer os pilares da democracia.
O Brasil enfrenta esse cenário em meio a sucessivas ondas de desinformação e ataques às instituições públicas, à imprensa crítica e ao conhecimento científico. Ainda assim, o país mantém uma Constituição que assegura liberdades fundamentais e protege o contraditório como elemento indispensável da convivência democrática.
A Constituição Federal garante a livre manifestação do pensamento, da criação, da expressão e da informação. Também proíbe qualquer forma de censura política, ideológica ou artística. No entanto, no plano concreto, o exercício dessas garantias continua cercado de tensões e desafios.
A liberdade de imprensa, o sigilo da fonte e o próprio exercício do jornalismo dependem, muitas vezes, da atuação firme das instituições democráticas para serem preservados.
Também é evidente que a liberdade de imprensa não pode ser interpretada de maneira absoluta. Ela convive com outros direitos fundamentais e exige responsabilidade técnica, ética e compromisso com os fatos.
Por isso, sociedades democráticas maduras valorizam a existência de uma imprensa livre, profissional e tecnicamente qualificada. O jornalismo responsável funciona como instrumento de fiscalização do poder, circulação de informações e fortalecimento do debate público.
Com a velocidade da internet e das novas tecnologias, as formas de produzir e consumir notícias mudaram profundamente. Nesse ambiente acelerado, a defesa da verdade, o diálogo respeitoso e o debate político sem ódio se tornam indicadores importantes da saúde democrática de uma sociedade.
Funcionam como a luz de um farol à beira-mar que, mesmo em noites sem estrelas, continua guiando embarcações em águas nem sempre tranquilas.

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