MANAUS (AM) – A Justiça do Amazonas condenou um homem a 11 anos e 2 meses de prisão, em regime inicial fechado, por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e porte ilegal de arma de fogo. A decisão proferida nesta terça-feira (23), pela 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus.
Segundo o Ministério Público do Amazonas (MPAM), o crime ocorreu no bairro Dom Pedro, zona Centro-Oeste da capital, quando o réu efetuou disparos contra a vítima, atingindo a região da cabeça.
Apesar de sobreviver ao ataque, a vítima perdeu permanentemente a visão do olho direito.
Jurados reconheceram tentativa de homicídio
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença acolheu a tese apresentada pelo Ministério Público e reconheceu a autoria do crime, a tentativa de homicídio e a qualificadora de motivo fútil.
A acusação conduzida pelo promotor de Justiça Thiago de Melo Roberto Freire.
Na sentença, a Justiça considerou a gravidade da ação, destacando que os disparos efetuados em via pública e em horário de intensa circulação de pessoas, colocando terceiros em risco.
Vítima receberá indenização de R$ 60 mil
Além da pena de prisão, o juiz determinou o pagamento de R$ 60 mil como valor mínimo para reparação dos danos causados à vítima.
A decisão levou em conta os prejuízos físicos, psicológicos e financeiros decorrentes do crime. Conforme os autos, a vítima precisou arcar com despesas médicas e sofreu impactos permanentes em sua vida profissional e pessoal após perder parcialmente a visão.
Crime teria começado após desentendimento
Segundo manifestação do Ministério Público durante o julgamento, o caso teve origem em uma discussão de trânsito que evoluiu para a tentativa de homicídio.
Para o promotor Thiago de Melo, a condenação representa uma resposta da sociedade contra a violência.
“O Tribunal do Povo, representando a sociedade, repudia a barbárie. Não se pode tolerar que brigas de trânsito resultem em atos tão brutais como uma tentativa de homicídio, ainda mais com consequências tão graves para a vítima”, afirmou.
Violência no trânsito preocupa autoridades
Casos de agressões e crimes motivados por desentendimentos no trânsito têm chamado atenção das autoridades em diversas cidades brasileiras.
Especialistas apontam que situações de conflito entre motoristas podem escalar rapidamente quando associadas ao porte ilegal de armas e à intolerância, aumentando o risco de violência grave.
SAIBA MAIS
O Tribunal do Júri é responsável por julgar crimes dolosos contra a vida, como homicídios consumados e tentados.
A qualificadora de motivo fútil aumenta a gravidade da pena quando o crime é praticado por razões consideradas desproporcionais.
O porte ilegal de arma de fogo é um crime autônomo previsto no Estatuto do Desarmamento.
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