O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (2), durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro, jogo do bicho e conexões entre integrantes do crime organizado e agentes públicos no Rio de Janeiro.
A prisão foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o cumprimento de outros dois mandados de prisão preventiva, além de 14 mandados de busca e apreensão. A decisão inclui ainda o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões.
Conhecido nas redes sociais e por liderar a Igreja da Nuvem, Márcio Poncio é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. Segundo a Polícia Federal, esta etapa da operação busca aprofundar a investigação sobre indícios de lavagem de dinheiro ligados ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado pelos investigadores como um dos líderes da nova cúpula do jogo do bicho no estado.
Além de Poncio, também foram alvos de mandados de prisão o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e o próprio Adilsinho. Ambos já se encontravam presos quando a operação foi deflagrada.
Operação começou investigando vazamento para o Comando Vermelho
A Operação Unha e Carne teve início em dezembro de 2025 para apurar um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais que teriam beneficiado integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Com o avanço das investigações, a Polícia Federal passou a investigar possíveis conexões entre organizações criminosas, contraventores e agentes públicos.
De acordo com a PF, a atual fase da operação foi desencadeada após a apreensão de listas e registros financeiros atribuídos ao grupo investigado. O material contém anotações sobre supostos pagamentos irregulares, doações eleitorais e movimentações financeiras consideradas compatíveis com esquemas de lavagem de dinheiro. Os investigadores apuram se houve repasses diretos a agentes políticos do estado do Rio de Janeiro.
Investigação mira fluxo financeiro
A Polícia Federal informou que as investigações seguem com a análise do material apreendido, rastreamento de movimentações financeiras e identificação de possíveis beneficiários, operadores e intermediários do esquema.
Segundo os investigadores, a quinta fase da Operação Unha e Carne representa uma ampliação das apurações sobre a atuação da chamada “nova cúpula” do jogo do bicho e suas possíveis ramificações junto aos poderes Executivo e Legislativo fluminenses.
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