Operação da Polícia Civil desarticula grupo ligado ao Comando Vermelho no Amazonas

Manaus (AM) – Uma operação da Polícia Civil do Amazonas, denominada Erga Omnes, desarticulou um grupo criminoso suspeito de atuar em esquema ligado à facção Comando Vermelho. A ação foi deflagrada nesta sexta-feira (20/2) e apura crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. As investigações […]

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Manaus (AM) – Uma operação da Polícia Civil do Amazonas, denominada Erga Omnes, desarticulou um grupo criminoso suspeito de atuar em esquema ligado à facção Comando Vermelho. A ação foi deflagrada nesta sexta-feira (20/2) e apura crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional.

As investigações apontam que o grupo movimentou cerca de R$ 70 milhões por meio da criação de empresas de fachada, principalmente nos setores de transporte e logística. Parte dos investigados integra um chamado “núcleo político”, com acesso a integrantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Prisões e mandados em vários estados

Entre os presos está Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus, que não é alvo da operação.

Ao todo, 15 pessoas foram presas até o momento, sendo oito no Amazonas. Entre os detidos também estão um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) e ex-assessores de três vereadores.

A operação cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em Manaus e nas cidades de Belém (PA), Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA).

Como funcionava o esquema

Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava rotas fluviais e terrestres para transportar drogas adquiridas na Colômbia. As empresas de fachada serviam para ocultar valores ilícitos e dar aparência legal às movimentações financeiras.

Relatórios de inteligência financeira identificaram incompatibilidade entre o volume de recursos movimentados e a capacidade econômica declarada pelos investigados. Desde 2018, o grupo teria movimentado, em média, R$ 9 milhões por ano.

A extração de dados telemáticos de celulares permitiu mapear conexões em outros estados. As apurações também indicam tentativas de obtenção indevida de informações sigilosas para antecipar ações policiais e judiciais.

Além das prisões e buscas, a Polícia Civil solicitou à Justiça a quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados, além do bloqueio e sequestro de bens e valores.

Nota da Prefeitura de Manaus

Em nota, a Prefeitura de Manaus esclareceu que não é alvo da operação realizada nesta sexta-feira (20/2) pela Polícia Civil do Amazonas. Conforme informado pelas próprias autoridades, nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município integram o objeto da investigação.

A administração municipal afirmou ser “inaceitável que setores da política tentem distorcer fatos para criar narrativas artificiais e atingir a honra de quem tem trabalhado com responsabilidade pela cidade”. Segundo a nota, a exploração oportunista de investigações que não envolvem a gestão revela mais sobre seus autores do que sobre os fatos.

A Prefeitura reforçou ainda que mantém compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições. Destacou também que qualquer servidor eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, nos termos da lei, sem prejuízo do funcionamento regular da máquina pública.

Por fim, a gestão municipal declarou que Manaus não pode ser refém de ataques especulativos nem de tentativas de desinformação, ressaltando que “a verdade prevalece nos fatos, não nas insinuações”.

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