Manicoré (AM) – O Ministério Público do Amazonas (MPAM) denunciou à Justiça um pai e o meio-irmão da vítima pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver. A denúncia foi apresentada na quarta-feira (29), com base nas investigações que apontam que o crime ocorreu em abril deste ano durante o retorno de uma balsa de garimpo para Manicoré. O corpo da vítima ainda não foi encontrado.
Segundo o MPAM, o caso tramita na Justiça e o órgão pediu que os acusados sejam citados para apresentar defesa. Também requereu que o processo avance para a fase de instrução e, caso existam provas suficientes, seja levado ao Tribunal do Júri.
Crime teria sido motivado por vingança
De acordo com a investigação policial, o homicídio aconteceu em 11 de abril de 2026, durante o trajeto de volta de uma balsa de garimpo para Manicoré.
A acusação sustenta que o crime foi motivado por vingança, após a descoberta de que a vítima mantinha um relacionamento amoroso com a companheira do pai e mãe do meio-irmão denunciado.
Após o homicídio, os suspeitos teriam ocultado o corpo, que permanece desaparecido.
Indícios reunidos pela investigação
Na denúncia, o Ministério Público destaca elementos considerados relevantes para sustentar a acusação. Entre eles estão o fato de o desaparecimento ter sido registrado apenas 11 dias após o crime, testemunhos indicando que o pai já sabia do relacionamento antes do desaparecimento e relatos de que os três foram vistos juntos pela última vez ao deixarem a balsa.
As investigações também apontam que a versão de que a vítima teria desembarcado em um porto e se hospedado em um hotel não foi confirmada pelas diligências policiais. Outro ponto citado é a venda da balsa utilizada no garimpo e a mudança repentina da família após o desaparecimento.
Ministério Público pede novas diligências
Além da ação penal, o MPAM solicitou que a Justiça determine novas diligências para fortalecer a investigação. Entre as medidas requeridas estão a localização do corpo da vítima, a identificação do comprador da balsa e a obtenção de eventual comprovante de repasse financeiro que teria sido feito à vítima.
O promotor de Justiça Venâncio Antônio Castilhos de Freitas Terra afirmou que o Ministério Público continuará acompanhando o caso.
“O Ministério Público do Estado do Amazonas reitera o seu compromisso com a Justiça e com a sociedade e espera que os responsáveis sejam julgados e condenados, uma vez que é inaceitável que um pai tire a vida do próprio filho ou que um irmão mate o outro.”
O que acontece agora
Com o oferecimento da denúncia, caberá ao Poder Judiciário analisar se há elementos para receber a acusação. Caso isso ocorra, os denunciados passarão a responder formalmente ao processo, que seguirá para a fase de instrução. Ao final, a Justiça decidirá se o caso será submetido ao Tribunal do Júri, responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida.
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