VÍDEOS: PM abre inquérito após policiais apreenderem tambores em terreiro no AM

A Diretoria de Justiça e Disciplina da PMAM instaurou um IPM para apurar a conduta de policiais que interromperam culto e apreenderam tambores na Cidade Nova.

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Manaus (AM) — A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta de policiais envolvidos na apreensão de instrumentos sagrados durante uma celebração de matriz africana no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus. A ação, conduzida pela Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) da corporação, foi motivada por graves acusações de intolerância religiosa ocorridas entre a noite de sábado (27) e a madrugada de domingo (28).

O episódio aconteceu no Centro Religioso Mina Jejê-Nagô Nossa Senhora da Conceição, durante os tradicionais Festejos de São João e do Turco Jatuarana. Segundo a PM, equipes foram acionadas até o local após receberem denúncias de perturbação do sossego. Na calçada do templo, iniciou-se uma discussão entre o capitão Ângelo Alcolumbre e o responsável pelo terreiro, o sacerdote e advogado Heriberto Sena Júnior, sobre os procedimentos adotados durante a fiscalização.

Invasão ao templo e apreensão de tambores batás

Imagens gravadas por frequentadores e amplamente divulgadas nas redes sociais mostram os policiais militares entrando no espaço e recolhendo os instrumentos utilizados no ritual religioso, entre eles três tambores batás e um xequerê, mesmo sem a apresentação de um mandado judicial.

Durante a ação, Heriberto Sena Júnior criticou duramente a entrada dos policiais no espaço religioso e classificou a medida como uma violação direta à liberdade de culto garantida por lei.

“Ele está entrando dentro de um local sagrado. O Estado está invadindo um templo religioso para apreender instrumentos religiosos”, afirmou o sacerdote durante a ocorrência.

Segundo Heriberto, a celebração acontece apenas uma vez por ano e não recebeu o mesmo tratamento ou tolerância dados a eventos de outras denominações que ocorrem regularmente na mesma região. “Eu só faço essa festa uma vez no ano. Isso se chama intolerância religiosa”, declarou. Após o recolhimento dos materiais, participantes informaram que pretendiam continuar o rito, ao que o oficial respondeu no vídeo: “Bora ver se vai continuar”.

Denúncia no MPF por racismo religioso e devolução

Diante do ocorrido, os participantes da cerimônia formalizaram uma denúncia junto ao Ministério Público Federal (MPF), alegando a prática de racismo religioso, injúria racial e abuso de autoridade por parte da guarnição.

De acordo com o Centro Religioso Mina Jejê-Nagô, os instrumentos apreendidos foram levados ao 6º Distrito Integrado de Polícia (6º DIP), mas acabaram devolvidos após horas de espera. Os responsáveis prestaram esclarecimentos à autoridade policial de plantão.

“Os instrumentos sagrados permaneceram conosco, e responderemos, dentro da legalidade, à denúncia apresentada [de perturbação], exercendo plenamente nosso direito de defesa”, informou a instituição em nota de esclarecimento.

Posicionamento oficial da PMAM

Em nota oficial, o comando da Polícia Militar do Amazonas ressaltou que não orienta nem admite qualquer tipo de ação contra manifestações religiosas realizadas dentro dos limites legais.

A PMAM afirmou que não tolera atos de discriminação, ofensa ou violência motivados por crença ou religião, e reiterou o compromisso institucional com os direitos fundamentais, a diversidade e a apuração totalmente transparente dos fatos por meio do IPM instaurado.


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Marcelo Torres
Marcelo Torreshttps://portalmeuamazonas.com.br
Marcelo Torres é jornalista, com atuação voltada à cobertura de cotidiano e temas de interesse público. Com olhar atento aos fatos e compromisso com a apuração responsável, prioriza informação clara, contextualizada e de relevância para o leitor.

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