Manaus (AM) – A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) assumiu a investigação da morte de uma criança de 11 anos, com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ocorrida na manhã desta terça-feira (30) após uma queda do 5º andar de uma das torres do Condomínio Life, no bairro Parque Dez de Novembro, zona Centro-Sul de Manaus. De acordo com o delegado Gerson Oliveira, a linha de investigação apura uma possível negligência familiar.
Em entrevista, o delegado revelou que a varanda do apartamento contava com uma rede de proteção, porém, o equipamento de segurança estava rompido. A perícia técnica localizou a rede cortada ou danificada guardada no interior do próprio imóvel. A polícia busca agora determinar quando ocorreu o rompimento que permitiu o acesso da vítima à borda da varanda.
Histórico de comportamento e dinâmica no imóvel
Segundo os levantamentos iniciais da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), o comportamento da criança já havia chamado a atenção da vizinhança anteriormente. Residentes de uma rua lateral, que possuem linha de visão para o apartamento, relataram e registraram em ocasiões passadas o menor subindo e se posicionando do lado de fora das janelas.
A investigação constatou que a família havia instalado travas de segurança na janela onde os primeiros episódios ocorreram, impedindo o acesso do menino. No entanto, ele mantinha livre acesso à varanda, cuja rede de segurança já se encontrava inoperante. O delegado ressaltou que a condição de saúde do menor (TEA) era um fator conhecido que contribuía para esse tipo de comportamento de risco, exigindo supervisão constante.
Responsabilização legal e apuração de negligência
No momento do incidente, a mãe da criança não estava na residência. Segundo relatos obtidos pela DEHS, ela havia saído para uma consulta médica e deixado a vítima sob os cuidados da irmã mais velha, uma adolescente de 14 anos. Em um momento de distração da jovem, a criança ultrapassou a varanda desprotegida.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a prestar os primeiros socorros no local, mas a vítima sofreu lesões graves na região cefálica e em um dos braços, evoluindo a óbito ainda no condomínio.
Questionado sobre as consequências jurídicas para os responsáveis, o delegado Gerson Oliveira afirmou que a apuração vai determinar o grau de omissão. “Nós vamos apurar todas as circunstâncias para averiguar se houve negligência por parte da mãe. Os pais sempre são responsáveis pela segurança dos filhos”, declarou a autoridade policial.
A DEHS solicita o apoio de moradores do entorno e de blocos vizinhos que possuam câmeras de vigilância ou registros em vídeo voltados para o apartamento para auxiliar na cronologia dos fatos.
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