Manaus (AM) – O debate ao governo do Amazonas promovido pela TV A Crítica na segunda-feira, 28 de setembro, colocou o governador Roberto Cidade (União Brasil) na mira dos quatro adversários e levou para o centro da disputa uma denúncia sobre a fila de regulação da saúde. O encontro aconteceu a menos de uma semana do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Participaram David Almeida (Avante), Isael Munduruku (Rede), Maria do Carmo (PL), Omar Aziz (PSD) e Cidade. Esse foi o terceiro debate televisionado da eleição estadual, e David foi quem mais partiu para o confronto. Omar e Maria do Carmo adotaram tom mais ameno entre si.
Omar leva denúncia sobre o Sisreg ao debate
O momento mais tenso veio no primeiro bloco. Cidade perguntou a Omar sobre propostas para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). O senador respondeu citando a secretaria para pessoas com deficiência que criou quando governou o estado e, em seguida, mudou o foco para a fila de atendimentos, alegando que um grupo de WhatsApp seria usado para interferir na regulação.
Segundo Omar, o grupo se chamaria “Baixas Regulação”, e o favorecimento de pacientes estaria ligado à troca de votos. “Você é um fura-fila”, disse o candidato do PSD.
Ele afirmou ter enviado o material ao Ministério Público Federal e anunciou que também vai encaminhá-lo à Polícia Federal e ao Ministério da Saúde. A denúncia tem como um dos elementos o depoimento de uma servidora da rede estadual de saúde.
Cidade não respondeu diretamente à acusação na réplica. Disse que tratará dos fatos quando for questionado e defendeu ações do governo para pessoas com autismo, com a previsão de entrega de mais dois Caic e de um centro de inclusão.
A acusação atinge um tema sensível da campanha. A fila do Sisreg reúne cerca de 1,5 milhão de procedimentos represados no estado, entre consultas, exames e cirurgias, e outros candidatos também prometem zerá-la.
Pauta indígena entra no primeiro bloco
Isael Munduruku criticou a atuação da Fundação Estadual dos Povos Indígenas (FEI) e aproveitou a fala para pedir votos para Ismael Munduruku (Rede), candidato ao Senado, contra Wilson Lima. David Almeida seguiu na mesma linha: disse que o estado abandonou a política indígena e citou ações da prefeitura no Parque das Tribos, na zona Oeste de Manaus.
“Respondo pelo meu CPF”, diz Cidade
Ao longo dos blocos, David, Omar e Maria do Carmo tentaram associar Cidade ao antecessor, Wilson Lima (União Brasil), hoje candidato ao Senado.
O governador respondia que está no cargo há quatro meses e governa com o próprio CPF.
“Eu respondo pelo meu CPF, pela minha história de vida”, afirmou.
Embate com David Almeida
O embate mais duro foi com David. O ex-prefeito de Manaus acusou o governo de favorecer empresas ligadas à família de Cidade, citando contratos e compras estaduais.
O governador chamou as acusações de mentirosas, disse que não responde por contratos de empresas de familiares e atacou a gestão de David na prefeitura, afirmando que ele deixou o cargo antes do fim do mandato e não entregou obras prometidas. Cidade ainda chamou o adversário de “Pinóquio do Amazonas”.
Maria do Carmo também confrontou o governador. Ela citou quatro operações da Polícia Federal em quatro meses contra Cidade e questionou contratos de empresas da família dele durante a pandemia, além do pagamento de indenizações às famílias das vítimas. Cidade negou irregularidades e respondeu com críticas à família da candidata e à evolução do patrimônio dela. Maria afirmou que apresentará provas.
David e Maria do Carmo trocam ataques pessoais
A morte de uma grávida em Manaus entrou no debate. Maria do Carmo perguntou a David se ele havia pedido desculpas à família de Giovana Ribeiro da Silva, vítima de um acidente causado por um buraco na avenida Djalma Batista. O ex-prefeito classificou o caso como fatalidade, disse ter pedido desculpas e afirmou que sua gestão foi a que mais asfaltou ruas na capital.
Na sequência, David passou a atacar a candidata, citando a faculdade da família dela, a filha e o marido. Maria rebateu que o debate precisava tratar de responsabilidades e disse que a cidade continua cheia de buracos.
Segurança e Zona Franca entram na pauta
Na segurança pública, Omar criticou delegacias que, segundo ele, fecham à noite, e cobrou a convocação de concursados. Cidade respondeu que ampliaria o horário de atendimento e investiria em tecnologia, mas disse que a convocação imediata poderia levar o estado a descumprir limites fiscais.
Isael Munduruku criticou a posição de Flávio Bolsonaro (PL) sobre a Zona Franca de Manaus e perguntou como Maria do Carmo defenderia o modelo. Ela disse que o assunto estava superado e prometeu fortalecer a ZFM e atrair novas atividades econômicas.
As propostas apareceram sobretudo no confronto entre Omar e Maria. O senador defendeu estágio remunerado de seis meses para jovens sem experiência; a candidata propôs expandir o ensino técnico e o Cetam, com preparação de mão de obra para o Polo Industrial de Manaus. Omar também incluiu a criação de uma companhia aérea amazonense entre suas propostas.
Briga entre militantes do lado de fora
A tensão ultrapassou o estúdio. Apoiadores de candidatos entraram em confronto físico nos arredores da sede da emissora, na avenida André Araújo. Ao menos um militante de David Almeida ficou ferido. A causa da briga, a identidade dos demais envolvidos e a extensão dos ferimentos ainda não estão esclarecidas.
Novo debate nesta terça-feira
Os candidatos voltam a se enfrentar nesta terça-feira, 29 de setembro, no debate da Rede Amazônica. Após a confusão, Cidade pediu que seus apoiadores não compareçam presencialmente ao local do encontro.
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