Sustentabilidade urbana: Lei de Felipe Souza prevê arborização em vias estaduais
Manaus (AM) – Lei nº 7.883, de autoria do deputado estadual Felipe Souza (PRD), sancionada esta semana, define diretrizes para a arborização das vias públicas estaduais no Amazonas.
A proposta, embora técnica, nasce em um momento em que Manaus registra recordes de calor, sensação térmica sufocante e aumento constante das chamadas ilhas de calor urbanas — áreas onde o asfalto, o concreto e a ausência de árvores elevam a temperatura a níveis extremos.
A lei estabelece critérios para plantio, manejo, escolha de espécies amazônicas e participação da sociedade civil. Em síntese: cria um marco para iniciar, enfim, uma política de arborização contínua nas áreas urbanas do estado.
Diretrizes e foco na economia ambiental
A legislação determina:
- Espécies adequadas ao clima amazônico, resistentes a pragas e compatíveis com calçadas, fiações e drenagem;
- Planejamento conjunto com a comunidade, incluindo mapeamento de áreas críticas e diálogo com moradores;
- Manutenção periódica, com podas adequadas, controle de pragas e monitoramento técnico;
- Educação ambiental em escolas, bairros e espaços públicos;
- Incentivo ao plantio, estimulando cidadãos e empresas a participar dos programas, com reconhecimento público.
Para Felipe Souza, o texto conecta sustentabilidade e qualidade de vida:
“O Amazonas tem a maior floresta tropical do planeta, mas precisa fortalecer a arborização dentro das áreas urbanas. Áreas verdes significam saúde pública, redução do calor e cidades mais humanas.”
Manaus e o colapso térmico: por que a lei chega tarde
Manaus vive um fenômeno agravado pela combinação de desmatamento regional, crescimento urbano desordenado e ausência de políticas contínuas de urbanismo verde. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) já apontam que a cidade possui alguns dos maiores bolsões de calor da região Norte, resultado direto da substituição da vegetação por áreas impermeáveis.
Nos últimos anos, bairros como Aleixo, Petrópolis, Flores, Centro e Compensa vêm registrando aumentos significativos na temperatura superficial. Em dias de estiagem severa, o solo urbano chega a ultrapassar os 55ºC. O calor que sentimos na pele é apenas o sintoma final de uma cadeia de decisões públicas que ignorou, por décadas, a necessidade de reflorestamento urbano.
Manaus é uma cidade cercada de floresta, mas quase sem floresta dentro dela.
A nova lei tenta atacar esse vácuo histórico — ainda insuficiente, mas necessária.
Selo Verde, qualidade de vida e combate às ilhas de calor
A arborização urbana tem impacto direto na redução da temperatura, na filtragem de poluentes e na melhoria da drenagem. Em cidades como Manaus, onde o calor extremo se intensifica com o aquecimento global, árvores não são mais elemento estético: são infraestrutura crítica.
Especialistas do INPA e da UFAM defendem que plantar árvores é tão prioritário quanto construir vias, e que o reflorestamento não pode se limitar às margens das rodovias. Ele precisa avançar para dentro da cidade — praças, avenidas, becos, áreas abandonadas e zonas densamente edificadas.
Participação popular e corresponsabilidade
Felipe Souza destacou o papel da comunidade:
“A sociedade deve ser protagonista. Queremos incentivar cada cidadão a contribuir com o futuro sustentável das nossas cidades.”
A lei prevê programas que envolvam moradores, associações, empresas e escolas, transformando a arborização em política de Estado — não de governo.
Próximos passos e desdobramentos
A sanção da lei abre caminho para que o Amazonas avance na criação de um Plano Estadual de Arborização Urbana, integrando monitoramento climático, recuperação de áreas críticas e expansão de corredores verdes. A execução, porém, dependerá de orçamento, vontade política e pressão social.
O desafio maior está justamente em Manaus, onde a população sente na pele — literalmente — os efeitos de décadas sem planejamento ambiental.
Reflorestar a capital é mais que um gesto simbólico: é uma resposta urgente ao colapso térmico e humanitário que já começa a se desenhar.
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