Wilson Lima sanciona lei que amplia cargos comissionados no MP do Amazonas

Norma cria 92 cargos em comissão e 135 funções de confiança no Ministério Público

Data:

Compartilhe esse post:

Manaus (AM) – O governador Wilson Lima (União Brasil) sancionou a lei que cria 92 cargos em comissão e 135 funções de confiança no Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM). Com a mudança, o número de cargos comissionados na instituição sobe para 216, enquanto o total de funções de confiança chega a 152. As informações são do Portal Em Pauta.

O procurador-geral de Justiça, Alberto Nascimento Júnior, apresentou a proposta.

A Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) aprovou o projeto em sessão realizada no dia 10 de dezembro. O Diário Oficial do Estado (DOE) publicou a nova lei na edição do dia 15 de dezembro.

Nova categoria de assessor jurídico

Entre as principais mudanças, a lei cria a função de assessor jurídico de entrância final, com remuneração de R$ 6 mil. O impacto financeiro estimado da medida é de R$ 552 mil por mês.

Somados aos cargos de assessor jurídico de entrância inicial, criados em 2018, o MP-AM passa a contar com 164 assessores vinculados a promotores de Justiça.

Cargos sem vínculo efetivo

De acordo com o texto legal, os ocupantes dos novos cargos de assessor não possuem vínculo efetivo com o Ministério Público. A instituição poderá nomeá-los e exonerá-los a qualquer momento.

Para exercer a função, a lei exige diploma de bacharel em Direito. Além disso, o ocupante do cargo não pode exercer advocacia nem consultoria privada durante o período de nomeação. A norma também proíbe a nomeação de parentes de promotores, diretores, chefes e assessores.

Já as funções de confiança deverão ser ocupadas, preferencialmente, por servidores efetivos, com formação de nível superior e previamente lotados na respectiva Procuradoria de Justiça.

Argumento jurídico do MP

Na justificativa enviada à ALEAM, o procurador-geral afirma que a ampliação do quadro atende ao entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), no Tema 1010, que trata da proporcionalidade entre cargos efetivos e comissionados.

Atualmente, o Ministério Público do Amazonas conta com 437 cargos efetivos, número superior ao dobro dos cargos comissionados. Segundo o texto da justificativa, mesmo com a ampliação, a instituição permanecerá dentro dos limites legais e constitucionais.

“Com a aprovação deste projeto, a instituição permanecerá dentro dos limites legais e constitucionais de proporcionalidade entre servidores efetivos e comissionados”, afirma o documento.

Debate interno e reação do sindicato

Apesar da sanção da lei, a criação dos novos cargos gerou debate interno no Ministério Público. O tema entrou na pauta do Colégio de Procuradores de Justiça, em sessão realizada no dia 5 de dezembro.

Durante a discussão, uma declaração do procurador Públio Caio Cirino provocou reação do Sindicato dos Servidores do Ministério Público do Estado do Amazonas (Sindsemp-AM).

Ao relatar um episódio envolvendo um motorista da instituição, o procurador citou o caso como exemplo de conduta que, em sua avaliação, poderia comprometer a imagem dos servidores.

Segundo o relato, o motorista acompanhava uma procuradora em sessão no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e, ao encerrar sua jornada de trabalho, informou que deixaria o local, repassando o atendimento ao plantão.

Na ocasião, Públio Caio afirmou que não se opõe à realização de concurso público, mas criticou situações que, segundo ele, reforçam estigmas sobre o serviço público.

“Às vezes, a exceção, uns ou poucos outros jogam lama no nome de servidor público”, declarou.

Sindicato rebate e defende servidor

Em nota, o Sindsemp-AM saiu em defesa do servidor citado e afirmou que o cumprimento da jornada de trabalho não pode servir para expor ou desqualificar profissionais que seguem a legislação aplicável aos seus cargos.

O sindicato destacou que servidores efetivos não se recusam a atuar além do horário regular quando convocados, desde que haja previsão legal de compensação ou remuneração.

Além disso, a entidade comparou a situação com a de policiais militares designados para a segurança de autoridades, ressaltando que esses profissionais possuem vantagens específicas, regimes distintos e compensações próprias, o que explicaria maior disponibilidade para jornadas prolongadas.

Por que isso importa para o Amazonas

A ampliação de cargos comissionados no Ministério Público reacende o debate sobre estrutura administrativa, gastos públicos e valorização dos servidores efetivos. O tema envolve não apenas questões legais, mas também a percepção da sociedade sobre o uso de recursos públicos e o equilíbrio entre cargos técnicos e de confiança no sistema de Justiça.

LEIA MAIS:


Portal Meu Amazonas
Portal Meu Amazonashttps://portalmeuamazonas.com.br
O Portal Meu Amazonas é um veículo digital de jornalismo sediado em Manaus, dedicado à cobertura do Amazonas e da Amazônia. Produz notícias, reportagens, análises e conteúdo de serviço sobre política, economia, cidades, meio ambiente, cultura, segurança, saúde e temas que impactam a população da região.

Matérias Relacionadas

Justiça determina circulação de 80% da frota e declara greve dos rodoviários abusiva em Manaus

TRT-11 impôs multa de R$ 120 mil por hora em caso de descumprimento e autorizou desconto salarial dos grevistas.

Brasil terá 158,7 milhões de eleitores aptos a votar nas eleições de outubro

O Brasil terá 158.745.463 eleitores aptos a votar nas eleições gerais de outubro de 2026, segundo dados divulgados...

Prefeitura de Manaus integra Gov.br ao Manaus Atende e amplia segurança dos serviços digitais

A Prefeitura de Manaus passou a permitir o acesso ao Manaus Atende por meio da conta Gov.br. A integração ao Siged amplia a segurança, simplifica o cadastro de novos usuários e moderniza os serviços digitais municipais.

Corpo de mulher é encontrado debaixo da Ponte do 40, em Manaus

Vítima ainda não foi identificada; polícia aguarda laudos periciais para esclarecer a causa da morte.