A dependência emocional costuma ser associada aos relacionamentos amorosos, especialmente nas redes sociais. Entretanto, especialistas alertam que, em alguns casos, esse comportamento pode estar relacionado ao Transtorno da Personalidade Dependente (TPD), condição de saúde mental caracterizada por uma necessidade excessiva de cuidado, medo intenso de abandono e dificuldade para tomar decisões de forma autônoma.
Segundo a psicóloga Maria do Carmo Lopes, é importante diferenciar comportamentos afetivos comuns de um quadro clínico que exige avaliação profissional.
“Quando a necessidade de estar com o outro passa a gerar sofrimento e interfere na autonomia da pessoa, esse pode ser um sinal de alerta”, explica.
Nem toda dependência emocional é um transtorno
Os especialistas destacam que sentir insegurança em determinados momentos ou valorizar um relacionamento não significa, por si só, que exista uma doença mental.
O Transtorno da Personalidade Dependente é diagnosticado apenas quando o padrão de comportamento é persistente, provoca sofrimento significativo e compromete diferentes áreas da vida, como relações familiares, trabalho e vida social.
Principais sinais
Segundo Maria do Carmo Lopes, alguns comportamentos merecem atenção:
- dificuldade para tomar decisões sem constante aprovação;
- medo intenso de abandono;
- necessidade de que outras pessoas assumam responsabilidades importantes;
- dificuldade em discordar por receio de perder vínculos;
- busca permanente por aprovação e validação.
Em situações mais graves, a pessoa pode permanecer em relacionamentos abusivos por medo de ficar sozinha.
Impactos na saúde mental
A dependência emocional pode favorecer o surgimento ou agravamento de outros transtornos, como ansiedade e depressão.
Também pode levar ao isolamento social, redução da autoestima, abandono de atividades pessoais e perda gradual da autonomia.
Segundo a especialista, a pessoa passa a depender da validação constante do outro para reconhecer seu próprio valor.
O que pode aumentar o risco?
Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento desse padrão de comportamento, entre eles:
- baixa autoestima;
- histórico de abandono;
- superproteção durante a infância;
- relações familiares disfuncionais;
- experiências de violência ou relacionamentos abusivos.
Tratamento
O tratamento depende da avaliação individual de cada paciente.
De acordo com Maria do Carmo Lopes, a psicoterapia é uma das principais estratégias para fortalecer a autonomia, desenvolver autoestima e favorecer relações interpessoais mais saudáveis.
Quando existem transtornos associados, como ansiedade ou depressão, também pode ser necessária avaliação psiquiátrica.
Quando procurar ajuda?
Especialistas recomendam buscar atendimento profissional quando a necessidade constante de aprovação passa a gerar sofrimento, compromete decisões importantes ou interfere na rotina, no trabalho e nos relacionamentos.
SAIBA MAIS
Segundo o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e a CID-11 (Classificação Internacional de Doenças), o Transtorno da Personalidade Dependente é um transtorno da personalidade que deve ser diagnosticado por profissionais habilitados após avaliação clínica. Nem toda dependência afetiva caracteriza esse diagnóstico.