Jogos digitais fazem parte da rotina de 75% dos brasileiros

Pesquisa aponta que 75,3% dos brasileiros consomem jogos digitais; psicóloga explica sinais de uso problemático e quando buscar ajuda.

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O hábito de jogar jogos digitais alcança 75,3% dos brasileiros, segundo a 13ª edição da Pesquisa Game Brasil (PGB) 2026. Embora jogar seja uma atividade de lazer para a maioria, a perda de controle sobre o tempo dedicado aos games pode provocar prejuízos na vida pessoal, social, profissional e escolar e exigir acompanhamento especializado.

A PGB 2026 aponta que 75,3% dos entrevistados consomem jogos digitais. O levantamento ouviu 7.115 pessoas entre 16 e 55 anos e mostra que o público dos games vai além dos adolescentes. A geração Z representa 36,5% dos consumidores, enquanto outras faixas etárias também mantêm participação significativa.

O uso frequente de jogos, porém, não significa necessariamente dependência. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece na CID-11 o transtorno do jogo eletrônico, caracterizado pela dificuldade de controlar o comportamento de jogar, pela prioridade crescente dada aos games em relação a outras atividades e pela continuidade do comportamento mesmo diante de consequências negativas.

O diagnóstico exige prejuízo significativo no funcionamento pessoal, familiar, social, educacional ou profissional e, normalmente, a persistência desse padrão por pelo menos 12 meses.

Quando jogar deixa de ser apenas lazer

Para a psicóloga Maria do Carmo Lopes, um dos principais pontos de atenção é observar o impacto dos jogos na rotina. Alterações de comportamento, humor e saúde física podem indicar que a relação com os games deixou de ser equilibrada.

Entre os sinais estão o afastamento de amigos e familiares, dificuldades na escola, queda de produtividade no trabalho e abandono de atividades cotidianas.

“A negligência pessoal também é um sinal importante. Deixar de cuidar da higiene, trocar o dia pela noite para jogar e relaxar nos cuidados com a alimentação são comportamentos que devem chamar a atenção”, comenta Maria do Carmo.

A irritabilidade diante da necessidade de interromper os jogos também merece atenção. Segundo a psicóloga, ansiedade e agressividade podem aparecer quando a pessoa precisa se afastar das telas.

A OMS ressalta, entretanto, que apenas uma pequena parcela das pessoas que jogam desenvolve transtorno do jogo eletrônico. Para a organização, o principal alerta está no momento em que os jogos passam a ocupar o lugar de outras atividades e começam a provocar prejuízos na vida cotidiana.

Dependência também pode atingir adultos

Embora os jogos eletrônicos sejam frequentemente associados ao público mais jovem, adultos também podem apresentar padrões problemáticos de uso.

De acordo com Maria do Carmo Lopes, a manifestação do problema pode assumir características diferentes a partir dos 40 ou 50 anos. Nessa faixa etária, os games podem funcionar, em alguns casos, como uma forma de escapar de conflitos pessoais, estresse profissional, esgotamento e solidão.

“É certo que o impacto na saúde mental dessa geração de 40 ou 50 mais é diferente do impacto na geração Z, uma vez que a dependência se dá de forma mais silenciosa”, afirma.

Na geração Z, a psicóloga chama atenção para possíveis impactos relacionados à formação pessoal e profissional. Segundo ela, a busca constante por gratificação imediata pode dificultar a tolerância à frustração e a persistência em objetivos de longo prazo, como a preparação para o vestibular e a construção da carreira.

“Embora os jogos proporcionem relações online, o excesso pode reduzir as oportunidades de vivenciar situações de interação no mundo real”, afirma.

Psicoterapia pode ajudar no controle do comportamento

Quando o uso de jogos provoca prejuízos significativos e a pessoa não consegue reduzir ou controlar o comportamento sozinha, a psicoterapia pode fazer parte do tratamento.

“A terapia é fundamental. Além de focar na redução do tempo do uso de telas, também vai trabalhar as questões da problemática que leva esse adolescente ou adulto a ter esse comportamento”, explica Maria do Carmo.

A avaliação profissional é importante porque o comportamento relacionado aos jogos pode estar associado a dificuldades que precisam ser investigadas individualmente. O tratamento, portanto, não deve se limitar apenas à redução do número de horas diante das telas.

Maria do Carmo Lopes atua como psicóloga em atendimentos individuais e em grupo. Segundo as informações fornecidas à reportagem, ela atende em consultório localizado


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