Justiça suspende extração de gás da Eneva em área indígena no Amazonas

Manaus (AM) – A Justiça Federal determinou a paralisação imediata da extração de gás pela Eneva em uma área sobreposta ao território indígena Gavião Real, no Amazonas. A decisão foi baseada em um laudo pericial do Ministério Público Federal (MPF) que identificou irregularidades no licenciamento ambiental. Além da suspensão das atividades, a empresa está proibida […]

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Manaus (AM) – A Justiça Federal determinou a paralisação imediata da extração de gás pela Eneva em uma área sobreposta ao território indígena Gavião Real, no Amazonas. A decisão foi baseada em um laudo pericial do Ministério Público Federal (MPF) que identificou irregularidades no licenciamento ambiental.

Além da suspensão das atividades, a empresa está proibida de impedir o uso tradicional das terras por indígenas e ribeirinhos.

Licenças suspensas no Complexo Azulão

A decisão também suspende a emissão de novas licenças ambientais para o Complexo de Gás Azulão, operado pela Eneva nos municípios de Silves e Itapiranga. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) não poderá emitir novas autorizações até que sejam cumpridos os seguintes requisitos:

  • Consulta prévia às comunidades tradicionais, conforme a Convenção nº 169 da OIT;

  • Estudos de impacto realizados pela Funai sobre povos indígenas e comunidades isoladas;

  • Elaboração do Estudo de Componente Indígena (ECI).

MPF apresenta provas de irregularidades

O MPF apresentou à Justiça novos elementos e provas com base em laudo técnico e visitas às comunidades locais. Diante dos fatos, a Justiça exigiu que Eneva e Ipaam prestem todas as informações solicitadas.

Ambos os órgãos têm um prazo de 15 dias para apresentar contestações.

Laudo aponta falhas graves no licenciamento

O laudo multidisciplinar do MPF, assinado por especialistas em Biologia, Engenharia Química e Geologia, identificou diversas falhas no licenciamento conduzido pelo Ipaam. Entre os principais problemas estão:

  • Omissão da presença indígena nas áreas afetadas;

  • Falta de dimensionamento da área de influência do empreendimento;

  • Subdimensionamento dos impactos ambientais e sociais;

  • Fracionamento do licenciamento de estruturas interligadas;

  • Danos já observados nas comunidades locais.

Comunidades indígenas e ribeirinhas foram ignoradas

A perícia apontou que várias comunidades foram invisibilizadas no processo de licenciamento. Aldeias próximas às estruturas da Eneva relataram impactos ambientais como:

  • Redução da pesca e afugentamento de caça;

  • Presença de escorpiões e aracnídeos perigosos;

  • Falta de diálogo com os moradores locais;

  • Ameaças a lideranças comunitárias e sensação de invasão.

Além disso, houve descumprimento de acordos firmados com o Ibama e desrespeito aos critérios ambientais previamente estabelecidos.

MPF sugere medidas para proteger comunidades

O MPF recomendou a solicitação de esclarecimentos sobre as atividades da Eneva, incluindo pontos de captação e lançamentos, além de infraestrutura compartilhada. Também solicitou que a Funai atualize as coordenadas e distâncias entre aldeias e o empreendimento.

Inspeções revelam pressões e contaminação

Durante inspeções em 2024, o MPF identificou:

  • Pressões da Eneva para passagem de gasodutos por áreas residenciais;

  • Presença de maquinário a poucos metros de moradias e criações;

  • Relatos de fogo e fumaça constantes;

  • Pressões para assinatura e renovação de contratos;

  • Denúncias de contaminação da água de lagos e poços artesianos.

As evidências reforçam os riscos socioambientais e os impactos da atividade de extração de gás sem o devido respeito às populações locais.

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