Documentário expõe lixão de Iranduba que contamina rios e adoece moradores

Biólogo Richard Rasmussen visitou o depósito irregular no Ramal do Creuza, ativo há mais de 40 anos a 500 metros de balneário turístico

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Manaus (AM) – O lixão a céu aberto de Iranduba — a 28 quilômetros de Manaus — ganhou visibilidade nacional no canal do YouTube do biólogo e apresentador Richard Rasmussen. No vídeo publicado na semana passada, ele percorre comunidades do município e registra os efeitos de mais de quatro décadas de descarte irregular de resíduos sólidos no Ramal do Creuza, no km 6 da rodovia AM-070.

O depósito funciona desde 2021 sob a gestão do prefeito Augusto Ferraz (União Brasil). Fica próximo aos rios Solimões e Negro, a áreas de produção agrícola e a apenas 500 metros do Igarapé do Papagaio, um dos balneários mais frequentados do município. O lixão descumpre a Lei nº 12.305/2010 — a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que proíbe esse tipo de destinação.

Richard Rasmussen
Richard Rasmussen

Moradores das comunidades São Francisco, Maria Zeneide e Novo Paraíso relatam fumaça constante, mau cheiro e contaminação do solo e da água. André Peres, presidente da Associação Rural da Comunidade São Francisco, explicou que a empresa contratada pela prefeitura recolhe resíduos uma vez por semana — e a demanda supera a capacidade dos catadores no local.

Produtores rurais da região também aparecem no documentário. Jamerson, agricultor da área, descreveu os efeitos da fumaça tóxica sobre moradores e crianças. O chorume do lixão, segundo o líder comunitário Benedito Leite, do Novo Paraíso, escoa para o Igarapé do Papagaio — ponto de lazer que atrai visitantes de Manaus aos fins de semana.

Os catadores que trabalham no lixão vivem em condições insalubres, sem estrutura de proteção sanitária. Rasmussen afirmou, no vídeo, que o futuro aterro sanitário pode organizar o trabalho dessas famílias sem tirá-las do setor.

O problema vai além de Iranduba

Vista aérea do lixão em Iranduba- Amazonas
Vista aérea do lixão em Iranduba- Amazonas

O Brasil gerou cerca de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2023. Aproximadamente 41,5% tiveram destinação inadequada. O país tem cerca de 2.600 lixões a céu aberto e apenas 600 aterros sanitários regularizados. A Região Norte concentra o maior índice de descarte irregular: cerca de 60% dos resíduos sem tratamento correto.

Aterro sanitário em construção

No mesmo vídeo, Rasmussen visita um aterro sanitário em Santana de Parnaíba (SP), referência nacional com nota 9,6 da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O espaço atende 1,4 milhão de habitantes de cinco municípios e gera energia a partir do biogás captado.

A empresa amazonense Norte Ambiental planeja construir um aterro sanitário em Iranduba com o mesmo modelo. O empreendimento é apresentado como alternativa definitiva ao lixão do Ramal do Creuza.

VEJA O VÍDEO DO DOCUMENTÁRIO:


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