Manaus (AM) – Rodoviários realizaram uma paralisação surpresa na manhã desta quarta-feira (27). O movimento, que durou cerca de 1h30, teve como principal objetivo protestar contra a escala de trabalho 6×1 (modelo em que o funcionário trabalha seis dias para folgar um) e chamar a atenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre agenda oficial na capital amazonense.
A mobilização foi organizada pelo Sindicato dos Rodoviários com o apoio de outras frentes sindicais, incluindo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sindicato dos Metalúrgicos, o Sindplast (Plásticos) e o Sindpetro (Petroleiros).
Bloqueio no T1 e impacto no Distrito Industrial
Os protestos começaram por volta das 6h, afetando em cheio os trabalhadores nas primeiras horas do dia. Os manifestantes interromperam a circulação de ônibus no Terminal de Integração 1 (T1), localizado na avenida Constantino Nery, no Centro. A ação resultou na formação de longas filas de coletivos na região central e forçou muitos passageiros a desembarcarem no meio do caminho para seguir a pé.
Além do Centro, as linhas de ônibus que atendem o Distrito Industrial também foram severamente afetadas. Parte dos motoristas daquela rota aderiu ao movimento, gerando retenção na circulação e prejudicando o deslocamento de trabalhadores do Polo Industrial de Manaus (PIM).
Pressão política na vinda de Lula a Manaus
Segundo as entidades organizadoras, o ato foi planejado para coincidir com a visita do presidente Lula a Manaus. O presidente está na capital amazonense deste terça-feira (26), onde ele realizou entregas de moradias, vistorias nas obras da BR-319 e nesta quarta deve anunciar novos investimentos.
Os sindicatos afirmam que, além de dar visibilidade à pauta trabalhista contra a jornada 6×1, o movimento visou demonstrar apoio ao governo federal e, simultaneamente, pressionar o Congresso Nacional na votação de projetos ligados aos direitos da classe trabalhadora.
Sinetram alega descumprimento de ordem judicial
Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) informou que foi pego de surpresa pela paralisação, apontando que o ato ocorreu “sem qualquer aviso prévio à população, às empresas operadoras e às autoridades competentes”.
O sindicato patronal afirmou ainda que a paralisação desrespeitou uma decisão liminar do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), que determina a manutenção de uma frota mínima operacional por se tratar de um serviço essencial.
Para conter os danos, o Sinetram informou que as concessionárias adotaram medidas emergenciais de remanejamento operacional e adequação de linhas, buscando diminuir o tempo de espera nas paradas e restabelecer o serviço regular nas principais zonas de Manaus após o fim do protesto.
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