Vídeo publicado nas redes sociais provocou indignação no Amazonas após críticas ao Polo Industrial e comentários sobre trabalhadores da região
Manaus (AM) – Um vídeo publicado pelo influenciador digital Gabriel Silva nas redes sociais desencadeou uma onda de reações no Amazonas após críticas à Zona Franca de Manaus (ZFM), principal motor econômico do estado.
O conteúdo, divulgado na noite de segunda-feira, dia 11 de maio, viralizou ao questionar a utilidade das indústrias instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM), ironizar a logística amazônica e defender importações diretas da China.
Reações de redes sociais e parlamentares do estado
A repercussão ultrapassou as redes sociais e chegou à esfera política. Parlamentares estaduais, federais e vereadores de Manaus saíram em defesa da Zona Franca e dos trabalhadores do Polo Industrial, classificando as declarações como ofensivas, desinformadas e prejudiciais à imagem do Amazonas.
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Entre os posicionamentos públicos, o deputado estadual Wilker Barreto, presidente da Comissão de Indústria, Comércio e Zona Franca da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), reagiu nesta terça-feira, dia 12 de maio, durante pronunciamento na tribuna da Casa.
Segundo a publicação oficial da Aleam, Wilker afirmou ser “difícil debater com esse nível de ignorância” ao comentar o episódio e criticou ataques direcionados ao modelo econômico amazonense e aos trabalhadores da indústria.
“O Amazonas merece respeito”, declarou o parlamentar, ao defender a importância da Zona Franca para a economia regional.
A repercussão do vídeo também chegou à Câmara Municipal de Manaus, onde vereadores usaram a tribuna nesta terça-feira, dia 12 de maio, para reagir às declarações de Gabriel Silva sobre a Zona Franca.
Parte dos parlamentares classificou as falas como desrespeitosas ao Amazonas e ao papel econômico desempenhado pelo Polo Industrial de Manaus, responsável por milhares de empregos diretos no estado.
Durante o debate, o vereador José Ricardo destacou a importância histórica e econômica da Zona Franca e afirmou que o modelo deve ser defendido diante de críticas recorrentes.
Já o vereador Rodrigo Sá argumentou que ataques à ZFM não serão ignorados. Segundo ele, é dever do parlamento municipal evitar que informações distorcidas ganhem força no debate público.
Em posição diferente, o vereador Coronel Rosses minimizou a repercussão e avaliou que o episódio não deveria ocupar tanto espaço nas discussões do plenário.
Por que a Zona Franca importa para o Amazonas
Mais do que um tema político, a reação em torno do caso expõe uma discussão que afeta diretamente milhares de famílias amazonenses.
Dados divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) mostram que o Polo Industrial de Manaus iniciou 2026 com faturamento de R$ 18,28 bilhões e mais de 129 mil empregos diretos, desempenho impulsionado principalmente pelos setores de eletroeletrônicos, informática e duas rodas.
Na prática, o modelo econômico sustenta parte significativa da arrecadação estadual, movimenta cadeias de comércio e serviços e é frequentemente apontado por pesquisadores e autoridades como um dos fatores que ajudam a reduzir pressões econômicas sobre áreas de floresta, ao concentrar empregos urbanos.
Ao mesmo tempo, a ZFM também enfrenta críticas históricas relacionadas à dependência de incentivos fiscais, logística de transporte e competitividade industrial, temas frequentemente debatidos por economistas e representantes do setor produtivo.
Reação política ganhou força
Além de Wilker Barreto, outros representantes políticos do Amazonas se manifestaram após a circulação do vídeo.
O senador Eduardo Braga convidou o influenciador a conhecer a realidade do Polo Industrial de Manaus e afirmou que trabalhadores do setor merecem respeito. Vereadores e deputados estaduais também cobraram responsabilização por declarações consideradas ofensivas aos amazonenses.
A repercussão também mobilizou trabalhadores do Polo Industrial e usuários das redes sociais, que passaram a compartilhar dados sobre geração de empregos e importância econômica da Zona Franca.
Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação oficial da Suframa, da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) ou do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) sobre o episódio.
SAIBA MAIS
Criada em 1967, a Zona Franca de Manaus funciona como um modelo econômico baseado em incentivos fiscais para atrair indústrias à Amazônia. O objetivo histórico foi gerar empregos, fortalecer a economia regional e reduzir desigualdades de desenvolvimento em relação ao Sul e Sudeste do país.
Hoje, o Polo Industrial de Manaus reúne fabricantes de motocicletas, televisores, celulares, aparelhos eletrônicos e componentes tecnológicos, sendo considerado um dos maiores parques industriais do Brasil.
VEJA O VÍDEO DO INFLUENCIADOR:
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