Pesquisa do Inpa identifica compostos da Amazônia com potencial para combater vírus Zika

Pesquisa liderada pelo Inpa identificou compostos da biodiversidade amazônica que conseguiram reduzir a replicação do vírus Zika em testes laboratoriais

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Manaus (AM) – Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) identificaram compostos naturais da biodiversidade amazônica com potencial para inibir a replicação do vírus Zika em células humanas infectadas. O estudo também mostrou que essas substâncias podem ajudar a modular a resposta imunológica do organismo durante a infecção.

A pesquisa reuniu cientistas do Inpa, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), da Fundação Oswaldo Cruz Amazônia (Fiocruz Amazônia) e do instituto italiano IPCB. Os resultados foram publicados na revista científica Biomedicine & Pharmacotherapy.

O trabalho avaliou o óleo essencial da espécie Piper alatipetiolatum, conhecida como Pau de Angola, e a zerumbona, composto extraído do gengibre-amargo (Zingiber zerumbet). Os pesquisadores combinaram essas substâncias com nanopartículas biodegradáveis para aumentar sua eficiência.

Nanotecnologia aumenta ação dos compostos

Segundo o pesquisador Gemilson Soares Pontes, do Laboratório de Virologia e Imunologia do Inpa, a principal inovação foi o uso de nanotecnologia para transportar os compostos naturais até as células infectadas.

Ao encapsular os bioativos em nanopartículas biodegradáveis, os cientistas conseguiram aumentar a biodisponibilidade das substâncias, melhorando sua ação antiviral.

“A ideia central é aproveitar a biodiversidade amazônica e pesquisar o potencial antiviral de compostos naturais com atividade biológica contra esse tipo de vírus. O objetivo foi entender como esses compostos podem atuar para que, futuramente, seja possível avançar para estudos mais complexos”, explicou Pontes.

De acordo com o pesquisador, a estratégia aumenta a eficiência da entrega dos compostos às células infectadas, ampliando o potencial terapêutico observado nos experimentos laboratoriais.

Zika ainda não possui tratamento antiviral específico

Transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, o vírus Zika ganhou destaque mundial durante a epidemia registrada entre 2015 e 2016.

Naquele período, o Brasil enfrentou uma emergência sanitária marcada pela associação da doença com casos de microcefalia em recém-nascidos e com a síndrome de Guillain-Barré.

Apesar dos avanços científicos dos últimos anos, ainda não existe um medicamento antiviral específico aprovado para tratar infecções por Zika. Atualmente, o tratamento é direcionado apenas ao alívio dos sintomas.

Mudanças climáticas ampliam preocupação

Os pesquisadores afirmam que o estudo ganha relevância diante do avanço das mudanças climáticas, que favorecem a expansão geográfica dos mosquitos transmissores de arboviroses.

Além do Zika, doenças como dengue, chikungunya e febre Mayaro podem ampliar sua circulação em diferentes regiões do Brasil e do mundo.

Por isso, a busca por novas estratégias terapêuticas tornou-se uma prioridade para a comunidade científica.

Próximos passos da pesquisa

O estudo integra o projeto Nanoarbo, iniciado em 2022 com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália.

Após os resultados promissores em laboratório, os pesquisadores pretendem ampliar os testes para outras arboviroses de importância em saúde pública, incluindo dengue, chikungunya e Mayaro.

A equipe também planeja avançar para ensaios pré-clínicos mais robustos antes de qualquer possível aplicação futura em tratamentos.

SAIBA MAIS

O Zika é uma doença viral transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. A infecção costuma provocar febre baixa, manchas vermelhas na pele, dor nas articulações e coceira. Embora muitos casos sejam leves, a doença pode causar complicações neurológicas e foi associada a casos de microcefalia em bebês durante a grande epidemia registrada no Brasil entre 2015 e 2016.

( * ) Com informações do INPA


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Gláucia Chair
Gláucia Chairhttps://portalmeuamazonas.com.br/
Gláucia Chair é jornalista, pesquisadora e professora, com mais de 25 anos de atuação no mercado de comunicação e educação. CEO do Portal Meu Amazonas, também atua como consultora em conteúdo digital e estratégias de mídia. É Master em Jornalismo pelo Instituto Superior de Educação (ISE) e possui especializações em Literatura Moderna e Pós-Moderna, Docência do Ensino Superior e Comunicação, Design e Multimídia. Membro da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB), Gláucia se destaca pela defesa da valorização da produção jornalística e intelectual na Amazônia. Ao longo de sua trajetória, colaborou com veículos de destaque como Portal Amazônia, Jornal e Portal Em Tempo, Portal Radar 10, Revista ECO, Portal Vanguarda do Norte, i9Brasil e Portal Em Pauta.

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