Os crimes cometidos durante a ditadura militar no Paraguai ainda permanecem sem respostas para familiares das vítimas e para a sociedade. A avaliação é do ator paraguaio Diro Romero, que participou do Bonito CineSur, festival de cinema realizado em Bonito (MS). Ele também defendeu maior integração entre os países da América do Sul.
Romero é protagonista do filme “Quién Mató a Narciso?”, produção inspirada em um dos casos mais emblemáticos de perseguição a pessoas LGBTQI+ durante o regime do general Alfredo Stroessner. Esse general governou o Paraguai entre 1954 e 1989.
Filme resgata caso sem solução da ditadura
O longa é baseado na história de Bernardo Aranda, locutor de rádio homossexual assassinado em 1959. O crime nunca esclarecido. No entanto, a Comissão da Verdade e Justiça do Paraguai considera a possibilidade de envolvimento do regime militar na morte do jovem.
Produção inspirada no livro Narciso, do escritor e jornalista Guido Rodríguez Alcalá, e dirigida por Marcelo Martinessi. O filme conquistou o prêmio de Melhor Filme da Mostra Panorama no Festival de Berlim. Além disso, integra a mostra competitiva de filmes sul-americanos do Bonito CineSur.
Segundo Diro Romero, a ausência de respostas sobre o caso reflete uma realidade compartilhada por diversas vítimas da ditadura paraguaia.
“Esse crime nunca foi esclarecido até hoje. Tanto no cinema quanto na vida, muitas vezes não temos respostas”, afirmou o ator durante o festival.
Ditaduras deixaram marcas em toda a América do Sul
Para Romero, a história do Paraguai guarda semelhanças com os períodos de ditadura vividos em outros países sul-americanos. Esses períodos foram marcados por desaparecimentos, prisões, torturas e mortes que ainda aguardam esclarecimento.
O ator destacou que o cinema pode ajudar a preservar a memória desse período e reforçou a importância da união entre os países da região.
Segundo ele, a integração é fundamental para evitar que episódios semelhantes voltem a acontecer no continente.
Cinema paraguaio vive momento de expansão
Durante o festival, o ator, músico e produtor Celso Franco também destacou o crescimento recente da produção audiovisual paraguaia. Segundo ele, o setor ganhou novo impulso após o sucesso de “7 Caixas”, lançado em 2012, considerado um marco para o cinema do país.
Franco atribui esse avanço à criação da Lei do Cinema, do Instituto Nacional do Audiovisual do Paraguai (INAP) e ao acordo de coprodução audiovisual firmado entre os países do Mercosul. Esse acordo ampliou o acesso a recursos públicos para produções cinematográficas.
De acordo com o artista, as novas políticas públicas devem fortalecer a produção local e permitir que mais histórias paraguaias cheguem ao público.
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