Enquanto o público acompanha as apresentações no Bumbódromo durante três noites de espetáculo, centenas de trabalhadores atuam nos bastidores por meses para transformar ideias em alegorias, fantasias, adereços e estruturas que ajudam a dar vida ao Festival de Parintins.
Costureiras, escultores, soldadores, pintores, aderecistas, carpinteiros e os chamados kaçauerés fazem parte de uma cadeia produtiva que movimenta a economia criativa do município e gera renda para dezenas de famílias todos os anos.
O festival é considerado uma das principais atividades econômicas ligadas à cultura no interior do Amazonas, impulsionando empregos temporários e valorizando profissionais que transformam conhecimento artístico em trabalho.
Costureira dedica mais de 50 anos ao festival
Entre os trabalhadores que ajudam a construir o espetáculo está Edna Maria Matos, que acumula mais de cinco décadas de atuação nos bastidores do festival.
Ao longo da trajetória, ela exerceu diversas funções ligadas ao boi-bumbá e hoje trabalha na produção de peças utilizadas nas apresentações.
Para Edna, a participação no festival vai além da remuneração.
“Eu tenho muito prazer em trabalhar aqui, não só pelo dinheiro, mas pela emoção. Nós damos o nosso sangue”, afirmou.
Ela destaca que a preparação do espetáculo representa uma oportunidade de renda para diversas famílias que retornam aos galpões todos os anos.
Arte gera trabalho e movimenta a economia local
O artista Afonso Kranio, que atua na produção de elementos cenográficos do festival, afirma que os impactos econômicos ultrapassam os profissionais diretamente envolvidos na arena.
Segundo ele, costureiras, aderecistas, soldadores e diversos outros trabalhadores dependem das atividades ligadas à produção do espetáculo.
“Não ajuda apenas quem está construindo as alegorias. Ajuda muitas pessoas que trabalham ao nosso redor e que encontram no festival uma oportunidade de renda”, disse.
Além da geração de emprego, o artista destaca que o evento funciona como vitrine para talentos da região.
Kaçauerés são responsáveis pela movimentação das alegorias
Outro grupo fundamental para o funcionamento do espetáculo é formado pelos kaçauerés, trabalhadores responsáveis pela movimentação das alegorias e pela logística dentro da arena.
Valdenor Santos atua há três décadas no festival e coordena equipes que somam aproximadamente 200 trabalhadores.
Segundo ele, a atividade representa uma importante fonte de renda para muitas famílias do município.
“São quase 200 homens envolvidos e muitos são pais de família. O festival representa uma oportunidade de trabalho e ajuda no sustento de muitas casas”, afirmou.
Além da força física necessária para movimentar as estruturas, os trabalhadores recebem treinamento para atuar durante as apresentações.
Cultura impulsiona desenvolvimento econômico
Além do impacto cultural e turístico, o Festival de Parintins desempenha papel relevante na economia local.
A preparação dos espetáculos movimenta setores como costura, cenografia, soldagem, marcenaria, pintura, transporte, alimentação e hospedagem.
Especialistas em economia criativa apontam que eventos culturais de grande porte ajudam a transformar conhecimento, tradição e identidade regional em oportunidades de trabalho e geração de renda.
No caso de Parintins, o festival se consolidou como um dos principais motores econômicos do município, mobilizando profissionais durante vários meses antes das apresentações oficiais.
SAIBA MAIS
O Festival de Parintins é considerado um dos maiores eventos culturais do Brasil e movimenta uma extensa cadeia produtiva ligada à economia criativa.
Além dos artistas que se apresentam na arena, centenas de trabalhadores atuam nos bastidores na construção de alegorias, fantasias, adereços e estruturas utilizadas durante o espetáculo.
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