Suraras do Tapajós levam carimbó indígena a Manaus em julho

Casarões e prédios históricos permanecem fechados em Manaus devido a disputas entre herdeiros e exigências legais de preservação, cenário que contribui para a degradação urbana e dificulta a revitalização do Centro Histórico.

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MANAUS (AM) – Manaus receberá, entre os dias 23 e 25 de julho, a turnê nacional “Suraras do Tapajós – Mulheres Indígenas, a Voz da Resistência”, que celebra os oito anos de trajetória do primeiro grupo de carimbó do Brasil formado exclusivamente por mulheres indígenas. A programação gratuita reúne shows, oficinas, rodas de conversa e atividades formativas voltadas à valorização da cultura indígena e das tradições amazônicas.

As atividades acontecerão no Espaço Cultural Muiraquitã e no Casarão Muiraquitã, ambos no Centro da capital amazonense.

Programação começa com oficina e show intimista

A abertura da agenda ocorre no dia 23 de julho, com uma oficina prática de carimbó, um laboratório técnico de som voltado para jovens e um show intimista das Suraras do Tapajós.

O espetáculo reúne músicas autorais do álbum A Força Que Vem das Águas e homenagens a artistas da cultura paraense, como Dona Onete. A apresentação combina instrumentos tradicionais, como curimbós, banjos e maracas de cuia, com cantos em português e Nheengatu, além de grafismos corporais, figurinos artesanais e o tradicional banho de cheiro.

Música e ancestralidade marcam a turnê

Criado em 2018 por mulheres indígenas do povo Borari, de Alter do Chão (PA), o grupo utiliza o carimbó como instrumento de valorização cultural, fortalecimento da identidade indígena e preservação dos saberes tradicionais.

Segundo a presidente da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, Val Munduruku, cada apresentação representa um encontro entre territórios e culturas.

“Nossa arte é nossa luta. E vice-versa. Cantamos em defesa do rio, da floresta, das mulheres e dos povos indígenas. É uma luta árdua e é também uma grande celebração. Nossa resistência é pela alegria, pela tradição.”

Oficinas e debates ampliam a programação

Além dos shows, a turnê aposta na formação de público e no intercâmbio entre artistas e lideranças indígenas.

No dia 24 de julho, o Casarão Muiraquitã receberá uma roda de conversa sobre cultura indígena, sustentabilidade e fortalecimento de iniciativas locais.

Já no dia 25 de julho, o espaço sediará uma oficina de moda consciente, voltada à produção sustentável, além de uma feira de artesanato indígena aberta ao público.

Toda a programação contará com tradução em Libras, audiodescrição durante os shows, acessibilidade para pessoas com deficiência e ações de sustentabilidade desenvolvidas em parceria com iniciativas de reciclagem e o Movimento Amazônia de Pé.

Grupo já passou por festivais nacionais e internacionais

Desde a criação, as Suraras do Tapajós se apresentaram em eventos como o Coala Festival, a Virada Cultural de São Paulo e as comemorações dos 40 anos do Rock in Rio. O grupo também realizou turnês pela França, Finlândia e Portugal e participou de atividades relacionadas às discussões climáticas durante a COP30, em Belém.

A circulação nacional é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio master da Petrobras, realização da Alter do Som e apoio do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

Confira a programação em Manaus

23 de julho

  • Oficina prática de carimbó;
  • Laboratório técnico de som para jovens;
  • Show das Suraras do Tapajós.

Local: Espaço Cultural Muiraquitã – Centro.

24 de julho

  • Roda de conversa com coletivos indígenas.

Local: Casarão Muiraquitã.

25 de julho

  • Oficina de moda consciente;
  • Feira de artesanato indígena.

Local: Casarão Muiraquitã.

SAIBA MAIS

Fundado em 2018, o Suraras do Tapajós é reconhecido como o primeiro grupo de carimbó formado exclusivamente por mulheres indígenas no Brasil. As artistas pertencem ao povo Borari, de Alter do Chão, no oeste do Pará, e utilizam a música para promover a valorização da cultura indígena, a defesa dos territórios tradicionais e o protagonismo feminino na Amazônia.


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Luiz Marcelo
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Luiz Marcelo já escolheu seu lugar no mundo: na fronteira entre o jornalismo e o universo digital. Curioso por natureza, navega pela internet com olhar editorial — sempre em busca de pautas de interesse à população amazônida. Cada texto que escreve é uma chance de entender melhor a Amazônia e as histórias que ela guarda.

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